

Seu próximo nível começa aqui
Seu desenvolvimento não pode ter limites. Garanta sua Assinatura Ilimitada e libere uma preparação completa com os melhores professores do Brasil.
Texto para responder às questões de 01 a 15.
Como não ser feliz
Nós não nascemos pra ser felizes. Isso é
uma descoberta, um anseio recente
A moça aproximou-se após esperar alguns minutos na fila da tarde de autógrafos na livraria e disparou, com um sorriso entredentes, à queima-roupa:
-Você é feliz?
Respondi, afável mas secamente:
-Não!
-Jura? Não acredito!
A essa altura, começava a pensar, pelo teor da conversa, tratar-se de pura gozação. Mas vi que era a sério quando ela tascou: -Você passa a impressão de que é bem feliz... Pedi breve licença às pessoas na fila. E avancei no debate:
-Veja, nós não nascemos pra ser felizes. Isso é uma descoberta, um anseio recente... Há 200 anos, tudo que as pessoas queriam era sobreviver, chegar aos 30 anos... No começo dos tempos, você acha que ohomem tinha tempo pra pensar em felicidade enquanto fugia dos dinossauros e outras ameaças? Ela ficou parada, certamente surpresa com argumento tão inusitado. Continuei:
-Quantas "pessoas felizes" você conhece?
-Não muitas -ela respondeu, já um tanto desolada.
-Eu não conheço nenhuma -sentenciei, quase amargo.
Ela riu um riso sem graça. Aliviei um pouco.
-O que acontece é que algumas pessoas são bem resolvidas com seu trabalho, têm uma vida familiar relativamente tranquila... Essas pessoas talvez pareçam felizes, não demonstram amargura com a vida. E talvez eu seja uma delas. Prefiro acreditar nisso.
Ela balançou a cabeça, resignada. E eu, concluindo meu pensamento:
-"Ser feliz" hoje em dia tem mais a ver com poder financeiro, desejos de consumo sem-fim, que com qualquer outra coisa. Mas pense comigo: se você não vive desesperadamente pelo dinheiro, não tem sonhos impossíveis, fica mais fácil viver, mais fluente, mais tranquilo...
A essa altura eu já me sentia protagonista da palestra "Lair Ribeiro para jovens que sonham com a felicidade". Só que às avessas, ensinando não como ser feliz, mas como não ser.
-Se você dedica mais tempo ao lúdico e vive menos pressionado pela corrida do ouro que virou nosso tempo, você terá mais tempo para o que importa... Isso, talvez, seja felicidade, vai saber.
-É, mas... e o dinheiro? -ela retrucou, mostrando não ser tão avoada assim.
-Se nos satisfizéssemos em ganhar apenas o necessário para viver bem, confortavelmente, sem sacrifícios, seria ótimo. Mas nossa natureza sempre pede mais... E isso torna as pessoas bastante infelizes, viram escravas do dinheiro...
A fila já chiava, por conta da espera, interrompida por esse debate misterioso, para o qual os demais não foram convidados. Ainda ilustrei rapidamente, para finalizar, com um filme argentino obscuro que o vi há algum tempo, uma espécie de comédia surreal e filosófica em que dois funcionários de uma companhia elétrica ou de esgotos vagam pela cidade, vivendo situações estranhas e mesmo delirantes. Em dado momento, um fala ao outro: "Preciso ir, tenho que dormir, estou muito cansado." Ao que o outro diz: "Ok, nos encontramos às sete então?" E o primeiro diz: "Não, preciso dormir pelo menos oito horas, senão não descanso." O outro contra-ataca: "Essa história de dormir oito horas por dia é uma invenção burguesa. Você acha que no tempo das guerras as pessoas pensavam nisso? Na Idade Média, você acha que alguém dormia oito horas por dia?" O outro fica sem palavras.
Para arrematar nossa conversa, disse-lhe:
-É a mesma coisa. Um guerreiro assírio não devia pensar em felicidade, apenas em sobreviver à próxima guerra. Assim é que deveríamos pensar, em sobreviver à próxima guerra. E só.
Sorri. Ela também sorriu.
-Fiquei muito feliz de ter você aqui nesta tarde
-ainda lhe disse (enfatizando a palavra feliz) à guisa de ironia, mas não sem verdade.
BALEIRO, Zeca. Como não ser feliz. lstoÉ, dez.2012. Disponível
em http://istoe.com.br (Adaptado)
Sintaxe corresponde a um dos níveis de análise de uma língua, que tem como objetivo principal descrever as regras responsáveis pela formação de uma sentença, ou seja, estuda a disposição das palavras na frase e a das frases no discurso, bem como a relação lógica das frases entre si. Sintaticamente, o segmento destacado está corretamente analisado em:
"Ela balançou a cabeça, RESIGNADA." /
"se você não vive desesperadamente pelo dinheiro, não tem SONHOS IMPOSSÍVEIS" / complemento nominal.
"E isso torna as pessoas bastante INFELIZES."/ adjunto adnominal.
"O outro fica SEM PALAVRAS."/ objeto indireto.
"Mas vi que era a SÉRIO quando ela tascou." /