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A partir do trecho “Em 2006, o neurologista japonês...

Leia o texto que segue e responda às questões de 01 a 10.


Por que relacionamentos terminam, segundo Darwin


01 ____ Vocês trocaram mensagens bobas pelo celular, dividiram brigadeiros de panela, assistiram TV juntos

02 largados na poltrona e dormiram de conchinha. Foram, enfim, o centro da vida um do outro. Mas agora é cada

03 um para o seu lado. E sempre fica um enorme ponto de interrogação: se era tão bom, por que acabou? Para

04 entender, é preciso voltar no tempo e fazer um passeio pelas savanas africanas, 3 milhões de anos atrás. O

05 homem caçava e protegia a família. A mulher cuidava dos filhotes.

06____ Mas, em determinado momento, os casais se separavam. O objetivo da família nuclear – nome técnico

07 que os antropólogos dão ao conjunto de pai, mãe e filhos – era garantir que o homem ficasse por perto tempo

08 suficiente para criar o filhote. Somente isso. Quando o filhote já estava crescidinho e não exigia atenção

09 integral da mãe (que por isso podia voltar a se virar sozinha), o pai estava livre para ir embora e procurar

10 outras fêmeas para procriar.

11 ____É daí que vem a chamada crise dos 7 anos. Esse é o período necessário para que uma criança se torne

12 minimamente independente. Um estudo da ONU revelou que o número de separações vai aumentando a

13 partir do 3º ano dos relacionamentos e atinge o pico no 7º ano – quando começa a declinar. Ou seja: o 7º ano

14 realmente é a hora da verdade da relação.

15 ____ No filme O Pecado Mora ao Lado, de 1955, Marilyn Monroe faz o papel de uma mulher que se relaciona

16 com um homem casado. Sabe qual é o nome original do filme, em inglês? The Seven Year Itch, em português,

17 “A Coceira dos 7 Anos”. Porque é justamente nesse momento que a relação está mais ameaçada – pela

18 comichão de trair.

19 ____ As estatísticas variam, mas entre 50 e 60% dos homens têm sexo fora do casamento, contra 45 a 55%

20 das mulheres. O aumento da infidelidade tem a ver com a independência delas, que já são quase metade da

21 força de trabalho e estão diminuindo rapidamente a distância financeira para os homens (nos EUA, 22% das

22 esposas já ganham mais do que os maridos). Mas as raízes disso estão dentro do cérebro. Lembra-se de

23 quando dissemos, na primeira reportagem desta série, que os sistemas cerebrais (desejo, paixão e ligação

24 emocional) eram independentes?

25 ____ Isso tem um motivo – e não é complicar os relacionamentos. Pelo contrário: surgiu para que nossos

26 ancestrais pudessem buscar estratégias reprodutivas diferentes. A mulher poderia ter um parceiro para

27 protegê-la enquanto gerava os filhos de outro, enquanto o homem poderia espalhar seus genes alegremente

28 por aí, com outras mulheres. A natureza não queria o ideal romântico de amor eterno. Ela queria que

29 tivéssemos um backup reprodutivo, um plano B genético, e nos meteu nessa confusão.

30 ____ E as circunstâncias também influem: na hora de decidir trair ou não, a relação do casal, a insatisfação

31 com o parceiro, a oportunidade, tudo isso pesa.

32 ____ Mas muita gente tem os genes, os hormônios, todas as oportunidades do mundo, e não trai. Nós não

33 somos robôs biológicos. É possível resistir ao desejo de trair. Mas é muito mais difícil resistir a outro

34 fenômeno, igualmente destrutivo para os relacionamentos: o ciúme. O mais engraçado é que esse monstro de

35 olhos verdes, como chamou Shakespeare, surgiu com o objetivo oposto – preservar a relação monogâmica.

36 Ao primeiro sinal de infidelidade, soa o alarme e a pessoa fica atenta. E, como homens e mulheres

37 desenvolveram estratégias distintas de reprodução, também sentem ciúmes de coisas diferentes.

38 ____ Como para o homem é muito dispendioso criar o filho de outro homem, ele sente mais ciúmes da

39 infidelidade sexual. Já para a mulher, não faria tanta diferença se o homem distribuísse apenas esperma para

40 as moças por aí; a grande ameaça é o envolvimento emocional, que coloca em risco a proteção e o cuidado

41 que o homem dá a ela e aos filhos.

42 ____ Em 2006, o neurologista japonês Hidehiko Takahashi fez exames de ressonância magnética no cérebro

43 de homens e mulheres que comprovaram essas diferenças. Quando sente ciúmes, o homem usa partes do

44 cérebro ligadas a comportamentos agressivos e sexuais, como a amígdala e o hipotálamo. Já nas mulheres, a

45 área mais ativada durante as crises de ciúme é o sulco temporal posterior superior, associado à percepção de

46 emoções nas outras pessoas.

47 ____ E a internet está piorando o ciúme. Uma pesquisa feita por psicólogos canadenses com 308

48 voluntários descobriu que as redes sociais, como Orkut e Facebook, alimentam o ciúme. Sabe por quê? Nada

49 menos do que 74,6% das pessoas adicionam ex-namorados ou rolos como amigos nessas redes – que depois

50 o cônjuge atual vai fuçar atrás de indícios.

51 ____ Com ou sem ciúme, a verdade é que boa parte dos relacionamentos está destinada a acabar. E esse

52 momento pode ser muito difícil. “A natureza realmente exagerou no que diz respeito ao fim dos

53 relacionamentos”, diz Helen Fisher. Quando uma pessoa é abandonada, sua reação se divide em duas fases.

54 A 1ª é o protesto. É quando a pessoa fica fazendo promessas, doida para reatar. Isso pode ser muito

55 inconveniente. Mas ela não tem culpa. É o corpo agindo.

56 ____ “O cérebro estava acostumado com aquela recompensa [a pessoa amada], então faz você insistir mais e

57 mais para tentar consegui-la de novo”, explica a neurologista Suzana Herculano-Houzel. O pânico de ver que

58 não está dando certo pode acionar o sistema de estresse do organismo, que por sua vez estimula novamente

59 a produção de dopamina – ironicamente, fazendo a pessoa se sentir ainda mais apaixonada.

60 ____ Depois vem a 2º fase: aceitação. Depois de ver que o amado não irá mesmo voltar, muita coisa pode

61 passar pela cabeça da pessoa – depressão, confusão, frustração. Até mesmo ódio. Mas por que sentir algo

62 tão ruim por alguém que se amou? É que o ódio e o amor passam pelas mesmas partes do cérebro – a ínsula

63 e o putâmen. “A diferença entre os dois é que, no ódio, existe mais capacidade de planejar as ações. No

64 amor, o julgamento está prejudicado”, diz o neurologista Semir Zeki, da University College London.

65 ____ Então o ódio é mais racional que o amor? Não necessariamente. Mas ele tem sua função: é uma defesa

66 do organismo para nos fazer seguir em frente. Em vez de ficarmos remoendo eternamente as dores,

67 passamos a não querer mais ver a pessoa. “Assim como o cérebro associava coisas positivas a uma pessoa,

68 ele pode passar a associar só sentimentos ruins, negativos”, diz Suzana Herculano-Houzel. Todos nós

69 sofremos e fazemos sofrer.


Callegari, Jeanne e Garattoni, Bruno. Por que relacionamentos terminam, segundo Darwin. Disponível em https://super.abril.com.br/ciencia/amor-o-fim/. Acesso em 2 de abril de 2023 [com supressões].

A partir do trecho “Em 2006, o neurologista japonês Hidehiko Takahashi fez exames de ressonância magnética no cérebro de homens e mulheres que comprovaram essas diferenças” (linhas 42 e 43), julgue os itens abaixo:


I. A expressão 'Em 2006' está virgulada porque está deslocada e indica tempo;

II. O nome próprio Hidehiko Takahashi cumpre uma função exemplificativa;

III. O pronome 'que' se relaciona sintático-semanticamente com o trecho mais próximo: 'de homens e mulheres'.


Marque a opção CORRETA:


A

Somente o item I está correto.


B

Somente o item II está correto.


C

Somente o item III está correto.


D

Todos os itens estão corretos.


E

Todos os itens estão incorretos.