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Visando a correta concordância em determinadas situações...

Por que os médicos não devem esconder o choro

Por J.J. Camargo

  1. Como convém que façamos periodicamente, vamos proceder uma triagem das nossas
  2. lembranças. Tratando logo de excluir as desagradáveis, essas que envolveram sentimentos que
  3. nos envergonham, ou deviam envergonhar, como inveja, ódio, indiferença e ingratidão, e nos
  4. fixemos naquelas que nos dão prazer de relembrar.
  5. E o que elas ______ em comum? Obrigatoriamente, a emoção. A valorização da capacidade
  6. de se emocionar é uma divisória entre as pessoas que valem a pena e aquelas que não podemos
  7. perder a oportunidade de evitar, porque a vida é curta demais para ser desperdiçada em
  8. miudezas. Uma vida sábia é identificada pela capacidade instintiva de selecionar para o
  9. compartilhamento de grandes alegrias ou inesquecíveis tristezas aqueles parceiros capazes de
  10. expressar emoções com naturalidade e repartir silêncios sem desconforto.
  11. Em algumas profissões, como a medicina, por exemplo, a emoção é imprescindível como o
  12. primeiro degrau de acesso ... empatia, esta reconhecida como exigência básica para quem se
  13. exponha ao desafio de compartilhar o sofrimento alheio. Na relação com os estudantes de
  14. Medicina e residentes, como já escrevi, tenho insistido em desmascarar o argumento fajuto de
  15. que o médico deve manter uma certa distância dos sentimentos do paciente para que isso não
  16. interfira na imparcialidade de suas decisões nas condutas mais dramáticas. Por sempre acreditar
  17. exatamente no contrário, tenho insistido que os médicos não devem se esconder para chorar
  18. quando der tudo errado, porque nada aproxima tanto o paciente do seu médico quanto a
  19. percepção de estar diante de um ser tão parecido com uma pessoa normal, que não se
  20. constrange de oferecer parceria quando nem tudo saiu como esperado.
  21. Admitindo-se que é uma tolice a pretensão de mudar as pessoas pela insistência de um
  22. discurso disciplinador, proponho que evitemos os rígidos, porque eles são irrecuperáveis, e nos
  23. detenhamos nos emotivos, que ______ fragilidades análogas e dividem a crença de que, sem
  24. emoção, a vida fica vazia.
  25. Entre os meus amigos selecionados por esta virtude, está o Roberto Coral, um grande
  26. cirurgião, com a emotividade exacerbada dos italianos, e que escreveu um lindo texto sobre uma
  27. crise de choro incontrolável quando descobriu, num passeio aleatório pela cidade, a beleza da
  28. praça de São Marcos, uma referência turística da encantadora Veneza.
  29. Muitos ______ que também sentiram um aperto no peito quando chegaram de barco pelo
  30. grande canal e depararam com aquela imensidão de arquitetura e história medievais. Tento
  31. sempre esquecer de uma socialite que não resistiu ... se queixar da quantidade de pombos
  32. ("Esses ratos do asfalto que transmitem doenças!") e que certamente não perdeu seu precioso
  33. tempo para descortinar ... indescritível imagem panorâmica do alto da torre da catedral.
  34. Mas, para justificar esta crônica, é preciso dizer que o Coral é muito mais do que um italiano
  35. chorão. Ele é um cara portador de uma delicadeza emocional reconhecida pelos seus amigos
  36. diretos, o que lhe assegurou o direito de repetir o choro na segunda visita ... praça de São
  37. Marcos, porque a sensibilidade, como se sabe, está sempre de tocaia no coração dos generosos,
  38. esses convictos de que as grandes emoções se renovam na recidiva.
  39. E naturalmente ele não fez nenhuma referência ao revoar dos pombos, porque já aprendeu
  40. que os ratos estão em todo lugar, e não vale a pena gastar uma palavra com eles.

(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/jj-camargo – texto adaptado especialmente para esta prova).

Visando a correta concordância em determinadas situações textuais, analise as assertivas que seguem, assinalando V, se verdadeiras, ou F, se falsas.


( ) Considerando que o verbo “ter” é o que deve ser utilizado nas lacunas tracejadas das linhas 05 e 23, é correto afirmar que na primeira lacuna deverá ser flexionado na terceira pessoal do plural; já na segunda, na terceira pessoal do singular.

( ) Devido à ocorrência do pronome indefinido ‘Muitos’ (l. 29), o verbo “dizer”, que completa a lacuna, deverá ser flexionado na terceira pessoa do singular, independente de tempo e modo.

( ) Na linha 36, o verbo ‘assegurou’ está flexionado no singular devido à ocorrência do pronome ‘lhe’ que o antecede.


A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:


A

V – V – V.


B

V – F – V.


C

V – F – F.


D

F – V – V.


E

F – F – F.