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Assinale a alternativa em que a expressão em destaque...

Leia o texto para responder às questões de números 03 a 08.

Quando entrou no quarto, vindo do banheiro, ela já tinha adormecido. Respirava serena, com o rosto voltado para o abajur. Tinha nas mãos um livro aberto, que ele retirou com cuidado, para não acordá-la, e colocou-o no criado-mudo. Depois sentou-se na beirada da cama, ao lado dela. Acariciou seus cabelos com a ponta dos dedos. Sentia-se feliz e emocionado.

Outras tantas vezes, tinha medo. Como nas manhãs em que ela saía de casa primeiro, e ele ficava na porta do apartamento, esperando que entrasse no elevador. Olhava sua mulher de cabelos molhados no meio do corredor e sentia uma saudade enorme. Dela, que ainda estava ali, à sua frente. Se ela perguntava, divertida, “o que foi?”, ele apenas sorria, em silêncio.

Nesses dias, sua piedade se estendia como um manto sobre todos os homens e mulheres apaixonados do planeta. Ele tinha certeza de que, naquele exato instante, em Pequim, Lima e Edimburgo, outros se debatiam no interior da mesma angústia. Estavam, como ele, assustados com a intensidade dos próprios sentimentos. Percebiam, repentinamente, o luxo da felicidade. Sofriam, como ele sofria, por perceber que o objeto do seu amor, afinal, não lhes pertencia. Era reconquistado a cada dia. Ou não.

Em momentos assim, entendia os tolos desesperados. Ele também tinha ímpetos de enchê-la de presentes. Daria a ela um carro, uma casa, uma joia. Faria dívidas. O que fosse necessário para prendê-la a ele, qualquer coisa que o fizesse ter uma sensação de segurança. Agiria de forma determinada e intrépida. Assim, talvez, ela nunca deixasse de amá-lo. Assim, certamente, ela jamais o abandonaria. Seriam felizes para sempre.

Nem todos os dias eram assim, claro. Aconteciam brigas, chateações, irritações profundas. Às vezes, o convívio era um inferno, e ele respirava aliviado. As personalidades colidiam, os gostos se estranhavam. Disso eu não sentiria saudades, ele pensava. Não seria assim tão duro se acabasse. Mas, se dela viesse um olhar triste, um gesto de dor ressabiado, ele se enchia de culpa. Voltava a sentir-se parte de algo estremecido, responsável último e refém da felicidade daquela criatura de olhos escuros que o fitava com medo – tão linda como ele nunca a vira, tão amedrontada quanto ele.

(Ivan Martins. O coração na garganta. https://epoca.oglobo.globo.com, 08.10.2014. Adaptado)

Assinale a alternativa em que a expressão em destaque expressa sentido de modo.


A

… ele retirou com cuidado, para não acordá-la… (1º parágrafo)


B

Dela, que ainda estava ali, à sua frente. (2º parágrafo)


C

… naquele exato instante, em Pequim, Lima e Edimburgo… (3º parágrafo)


D

Daria a ela um carro, uma casa, uma joia. (4º parágrafo)


E

… daquela criatura de olhos escuros que o fitava com medo… (5º parágrafo)