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Texto CG1A1AAA
...
1-------Volto hoje às minhas criaturas, aos rudes homens do
cangaço, às mulheres, aos sertanejos castigados, às terras
tostadas de sol e tintas de sangue, ao mundo fabuloso do meu
4 romance, já no meio do caminho.
Os dias de França me deram uma sensação de pausa,
de espanto, de novos contatos sonhados desde menino.
7 Vi terras por onde andaram os doze pares de França, os heróis
do meu Carlos Magno, lido e relido como história de Trancoso.
Vi terras do sul, o mar Mediterrâneo, o mar da história, o mar
10 dos gregos, dos egípcios, dos fenícios, dos romanos. Mas o
nordestino tinha que voltar à sua realidade, à realidade maior
que a história do mundo, isto é, à história dos seus homens, dos
13 cangaceiros brutais, carregados de vida bárbara, de instintos
cruéis de uma força, porém, que não se extingue nunca, porque
é a energia de uma raça de homens mais duros do que as pedras
16 dos seus lajedos.
Volto aos “Cangaceiros” e desde logo tudo o que vi e
senti se refugia no fundo da sensibilidade, para que a narrativa
19 corra, como em leito de rio que a estiagem secara, mas que as
águas novas enchem, outra vez, de correntezas.
Volto ao terrível Aparício, que mata igual a um flagelo
22 de Deus, ao monstruoso Negro Vicente, ao triste Bentinho, ao
místico Domício, aos umbuzeiros carregados de frutos, aos
mandacarus de floração de sangue, aos cantadores de estrada,
25 às mulheres sofredoras, às noites de lua, aos tiroteios, ao crime
e ao amor, à poesia barbaresca e vigorosa de um povo que é
maior do que a terra que o criou.
28 -------Volto contente e disposto a tudo.
---------Adeus, doce França. Agora os espinhos me arranham
o corpo e as tristezas me cortam a alma.
..
José Lins do Rego Adeus, doce França Internet: <www releituras com> (com adaptações)
A respeito dos recursos coesivos e da coerência do texto CG1A1AAA, assinale a opção correta.
As expressões “meu” (l.8) e “Trancoso” (l.8) indicam que, em sua infância, o narrador atribuía sentido equivocado às histórias de Carlos Magno, por ignorar seu contexto original.
O pronome possessivo “seus” (l.16) refere-se a “mundo” (l.12).
O vocábulo “energia” (l.15) retoma o sentido de “vida bárbara” (l.13).
A locução conjuntiva “para que” (l.18) introduz uma consequência do trecho “desde logo tudo o que vi e senti se refugia no fundo da sensibilidade” (l. 17 e 18).
Por meio da expressão “igual a” (l.21), compara-se o modo como “Aparício” (l.21) mata à maneira como “Deus” (l.22) pune.