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Mulher de 38 anos, personal trainer, procura atendimento ambulatorial por fadiga progre...

Mulher de 38 anos, personal trainer, procura atendimento ambulatorial por fadiga progressiva e dispneia aos esforços leves há oito meses. Mantém dieta balanceada, com consumo adequado de carnes vermelhas e vegetais. Menstruações regulares (ciclos de 28 dias, fluxo moderado por 6 dias). Refere episódios ocasionais de distensão abdominal pós-prandial e fezes amolecidas 2-3 vezes por semana, que atribui a “intestino sensível”. Nega sangramentos digestivos evidentes ou perda ponderal significativa. Já realizou três ciclos de sulfato ferroso oral (40 mg de ferro elementar, 3x/dia) nos últimos 6 meses, com melhora discreta e transitória da hemoglobina (máximo: 10,2 g/dL). Ao exame físico: palidez cutaneomucosa ++/4+ e glossite atrófica.


Exames laboratoriais:

• hemoglobina 9,6 g/dL,

• VCM 72 fL,

• HCM 24 pg,

• RDW 18% (aumentado),

• ferro sérico 32 mcg/dL (VR: 50-170),

• ferritina 8 ng/mL (VR: 15-150),

• saturação de transferrina 12% (VR: 20-50%)

• sangue oculto nas fezes negativo (três amostras).


Com base nos achados clínicos e laboratoriais, o diagnóstico e a conduta inicial mais adequados, conforme as diretrizes atuais, são:


A

anemia ferropriva secundária a sangramento uterino funcional; solicitar ultrassonografia transvaginal e considerar DIU com levonorgestrel;


B

gastrite atrófica autoimune com deficiência combinada de ferro e vitamina B12; solicitar dosagem de B12, gastrina sérica e anticorpo anticélula parietal;


C

doença celíaca com má absorção de ferro; solicitar sorologia para antitransglutaminase tecidual IgA e IgA total;


D

anemia ferropriva refratária a ferro oral (IRIDA – iron-refractory iron deficiency anemia); iniciar reposição com ferro parenteral e solicitar dosagem de hepcidina;


E

síndrome de má absorção por supercrescimento bacteriano intestinal (SIBO); solicitar teste respiratório de hidrogênio expirado e considerar antibioticoterapia empírica.