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Raimunda, 62 anos, costureira aposentada, é acompanhada pelo médico de família há 2 anos por dor crônica generalizada, sem diagnóstico definido.Fez múltiplas consultas com ortopedistas e neurologistas. Possui uma pasta com “todos os exames possíveis” — todos sem alterações relevantes.Relata que “a dor anda pelo corpo” e que os médicos anteriores “nunca acreditaram em mim”. Dorme mal, sente-se cansada e ansiosa, e expressa sentimento de desesperança.Atualmente, usa quatro medicações: relaxante muscular, analgésico, antidepressivo tricíclico e benzodiazepínico, todos prescritos por diferentes profissionais.Durante a consulta, solicita encaminhamento para “fazer uma ressonância da cabeça e coluna inteira, porque deve ter algo grave escondido”.
Considerando os princípios da Atenção Primária e da Prevenção Quaternária, a melhor conduta seria:
Solicitar exames de imagem amplos para tranquilizar a paciente e fortalecer o vínculo terapêutico.
Substituir antidepressivo tricíclico por opioide de baixa potência e manter benzodiazepínico para controle emocional.
Rever todas as medicações e descontinuar imediatamente aquelas de uso prolongado, sem substituições, para evitar polifarmácia.
Validar o sofrimento, oferecer explicação sobre a natureza multifatorial da dor crônica e propor plano terapêutico centrado na pessoa, evitando iatrogenias diagnósticas e farmacológicas.