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Uma mulher de 83 anos, independente para as atividades básicas e instrumentais de vida diária, comparece à consulta geriátrica acompanhada da filha. Nos últimos 12 meses, apresentou três quedas não intencionais dentro de casa, sem perda de consciência, traumatismo craniano ou fraturas. Relata que os episódios ocorreram em diferentes situações: em uma ocasião, levantou-se rapidamente da cama; em outra, tropeçou ao caminhar à noite até o banheiro; e, na terceira, perdeu o equilíbrio ao realizar uma tarefa doméstica. Faz uso contínuo de cinco medicamentos, incluindo um anti-hipertensivo e um hipnótico, e costuma utilizar chinelos dentro de casa. Ao exame, apresenta discreta redução da velocidade da marcha, sem déficit neurológico focal.
Considerando a abordagem das quedas recorrentes na população idosa, assinale a alternativa CORRETA:
Na ausência de perda de consciência, traumatismo craniano ou fratura, as quedas são classificadas como eventos de baixo risco e não há indicação de avaliação sistemática dos fatores intrínsecos e extrínsecos.
A ocorrência de múltiplas quedas em um período de 12 meses deve motivar avaliação multifatorial, incluindo revisão dos medicamentos, avaliação da marcha e do equilíbrio, investigação de fatores cardiovasculares e neurológicos quando indicados e identificação de riscos ambientais.
A suspensão de medicamentos associados a quedas deve ser realizada de forma imediata após a identificação de polifarmácia, independentemente da indicação clínica, da dose utilizada ou do risco de efeitos decorrentes da retirada.
A intervenção sobre fatores ambientais apresenta benefício limitado quando o idoso mantém independência funcional, devendo a prevenção concentrar-se principalmente no tratamento das alterações neurológicas relacionadas ao envelhecimento.
Em idosos com quedas recorrentes, recomenda-se restringir atividades físicas e reduzir a exposição a situações que exijam deslocamento, pois a diminuição da mobilidade constitui uma das principais estratégias para prevenir novos episódios.