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Uma menina de 12 anos foi levada pelos pais ao ambulatório de Alergia e Imunologia com história de surgimento de placas urticariformes intensamente pruriginosas havia cerca de 10 semanas. Os responsáveis informaram que as lesões surgiam diariamente, desapareciam espontaneamente em menos de 24 horas, sem deixar pigmentação residual, e reapareciam em diferentes regiões do corpo. A mãe referiu ainda episódios ocasionais de edema labial, sem dispneia, rouquidão ou hipotensão.
Na história clínica, não havia relação consistente com alimentos, medicamentos, exercício físico, calor, frio, pressão, vibração, água ou exposição solar. A mãe negou febre, artralgias, perda ponderal, dor abdominal, sintomas respiratórios ou outras manifestações sistêmicas.
Ao exame físico, a paciente não apresentava lesões cutâneas no momento da consulta. Fotografias obtidas pelos pais demonstravam lesões urticariformes típicas, fugazes e bem delimitadas.
Os exames laboratoriais mostraram: hemoglobina 13,2 g/dL (VR: 12–16 g/dL); leucócitos 7.600/mm3 (VR: 4.500–11.000/mm3); eosinófilos 260 células/mm3 (VR: 0–500 células/mm3); plaquetas 298.000/mm3 (VR: 150.000–450.000/mm3); velocidade de hemossedimentação 10 mm/h (VR: <20 mm/h); proteína C-reativa (PCR) 0,2 mg/dL (VR: <0,5 mg/dL); hormônio tireoestimulante (TSH) 2,1 µUI/mL (VR: 0,5–4,5 µUI/mL).
A paciente utilizou cetirizina em dose habitual durante quatro semanas, com adesão comprovada, permanecendo com sintomas diários.
De acordo com as recomendações internacionais atualmente aceitas para o manejo da urticária crônica espontânea, a conduta mais apropriada neste momento é:
suspender o anti-histamínico H1 e iniciar corticosteroide oral contínuo em baixa dose.
associar anti-histamínico H1 de primeira geração em uso contínuo, mantendo a mesma dose de cetirizina.
solicitar investigação laboratorial ampliada, incluindo autoanticorpos, frações do complemento, sorologias e exames de imagem, antes de qualquer modificação terapêutica.
suspender a cetirizina e iniciar antagonista do receptor de leucotrienos como tratamento isolado.
manter o anti-histamínico de segunda geração e aumentar progressivamente sua dose até o máximo de quatro vezes a dose habitual, antes de considerar terapias adicionais.