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Nas últimas décadas, diversos grupos indígenas brasileiros encontraram nos museus um mecanismo especialmente potente para produzir a memória de sua comunidade e reconstruir traços de sua cultura e de formas de vida já esquecidos. Esta “descoberta” levou algumas comunidades a desenvolverem processos museais e mesmo a criarem museus indígenas, com o intuito de mobilizar o papel educativo de museus e das exposições como caminho para organizar a memória do grupo e revigorar a identidade de diversas etnias.
Uma experiência pioneira da atuação de indígenas no campo museal foi a criação do Museu Magüta, no município de Benjamin Constant (AM), na passagem entre as décadas de 1980 e 1990. A instituição foi fundada para promover e preservar a cultura dos índios tikuna, que viviam em quase cem aldeias, distribuídas pela região do alto rio Solimões. Parte do processo de criação do museu se deu, contudo, em meio à mobilização dos tikuna pela demarcação do seu território; um movimento que envolveu confrontos com pistoleiros e a morte de indígenas no Massacre do Capacete, que se tornou nacionalmente conhecido pela impunidade de seus mandantes. Nascidos sob o signo do conflito, os processos museais desenvolvidos no Museu Magüta serviram para promover a organização social e a reestruturação da cultura dos tikuna, a ponto da experiencia se tornar um modelo para outras iniciativas indígenas no campo do patrimônio. No plano nacional, as ações do museu foram reconhecidas com a concessão do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, pelo IPHAN. Internacionalmente, o Museu Magüta foi premiado como “Museu Símbolo de 1995”, pelo ICOM.
Com relação às coleções deste museu, todas as afirmações abaixo são corretas, EXCETO:
A formação das coleções do museu demonstrou o importante papel deste tipo de museu no “renascimento” das culturas indigenas, uma vez que incluiu a recriação de objetos em desuso ou já desaparecidos, reconstituídos por meio de entrevistas com anciões e de fotografias e registros antigos, pertencentes a museus etnográficos.
As coleções do museu foram mobilizadas no trabalho educativo desenvolvido com escolas locais, com o intuito de aproximar as novas gerações da cultura e da história dos tikuna e, assim, desfazer imagens discriminatórias a respeito dos indígenas e promover maior harmonia nas relações interétnicas, na região.
As coleções do museu auxiliaram na preservação da cultura material tradicional da etnia, por serem em parte formadas por objetos como máscaras rituais, esculturas em madeira e coco de palmeiras, painéis de fibra vegetal e cestos.
A criação do museu mobilizou os tikuna na produção de objetos para suas coleções, sendo parte dos itens confeccionados como novas experiências artísticas. Sendo diferentes das peças de uso ritual e dos objetos de uso cotidiano, estas novas criações foram consideradas inautênticas, pouco representativas da etnia e, por isto, inadequadas para integrar uma coleção destinada a fortalecer identidades pela teoria museológica contemporânea.