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Estudos recentes sobre a construção social da infância destacam a relevância dos discursos históricos, pedagógicos e científicos na conformação de diferentes modos de compreender o desenvolvimento infantil; ao mesmo tempo, apontam que as práticas institucionais se articulam com visões psicogenéticas, socioculturais e psicanalíticas que nem sempre dialogam entre si de forma coerente. Portanto, complementam-se estas informações considerando que:
Os referenciais vigotskianos, ao situarem o desenvolvimento humano como consequência direta da internalização de práticas sociais, descartam a relevância das disposições biológicas e afetivas, o que os distancia significativamente de concepções que consideram o papel do corpo e das emoções na gênese das funções superiores.
O conceito contemporâneo de infância incorpora dimensões socioculturais e simbólicas que deslocam a centralidade do desenvolvimento como sequência universal e linear, reconhecendo a criança como sujeito de direitos e produtor de cultura, o que implica tensionar modelos normativos herdados das psicologias do desenvolvimento clássico.
As teorias desenvolvimentistas, ao enfatizarem etapas e estruturas mentais progressivamente mais complexas, oferecem respaldo suficiente à formulação de práticas pedagógicas inclusivas, visto que suas categorias operacionais contemplam tanto a diversidade cultural quanto as variações contextuais da infância.
A abordagem freudiana do desenvolvimento psicossexual, ao propor fases sucessivas baseadas na organização pulsional, estabelece um fundamento teórico plenamente compatível com as concepções construtivistas de Piaget e Wallon, uma vez que todas reconhecem o conflito interno como mecanismo de transformação do sujeito.