O paciente A. B. C., de 25 anos de idade, buscou
atendimento e contou que estava com moleza no corpo, que
não sentia mais fome, que sentia tristeza e vontade constante
de chorar e que não conseguia trabalhar como antes, apesar
de não ter apresentado nenhum quadro de adoecimento
conhecido. Ao ser perguntado a respeito da própria
percepção do respectivo estado, relatou que, na comunidade
onde nasceu e vive até hoje, aquilo era considerado
“mau-olhado”, por ser “irradiações de energia negativa
maléfica”, produzidas por um vizinho maldoso, invejoso.
Considerando esse caso hipotético como uma síndrome
relacionada à cultura, assinale a alternativa correta.
A
Em psicopatologia, no que tange aos estudos culturais,
as chamadas síndromes culturalmente relacionadas,
como no referido caso, são formas de simulação.
B
É preciso saber reconhecer, como no mencionado
caso, formas patológicas de alteração do juízo vindas
desses diferentes modos de representação do
sofrimento mental inseridos na cultura.
C
Crenças culturalmente sancionadas são descritas como
partilhadas por um grupo cultural, e é esse partilhar o
elemento diferencial básico das ideias delirantes. Por
isso, estas não devem ser confundidas com sintomas
psicopatológicos, a não ser que tal crença seja bizarra ou
absurda, como no caso descrito.
D
O paciente refere-se ao universo cultural dele, que inclui
um conjunto de valores, símbolos, atitudes e modos de
sentir e de sofrer, enfim, formas de organizar a
subjetividade, que são fundamentais na constituição do
sujeito, das respectivas relações pessoais e do próprio
adoecer, como no caso em questão.
E
No caso em questão, observem-se, nessa síndrome
cultural, evidências de parassonias, que precisam ser
confirmadas por meio de polissonografia, com avaliação
que inclua pelo menos monitoramento de narcolepsia.