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O ser vivo e o meio, considerados separadamente, não são normais, porém, é sua relação que os tornam normais um para o outro. O meio é normal para uma determinada forma viva na medida em que lhe permite uma tal fecundidade e, correlativamente, uma tal variedade de formas que, na hipótese de ocorrerem modificações do meio, a vida possa encontrar em uma dessas formas a solução para o problema de adaptação que, brutalmente, se vê forçada a resolver. Um ser vivo é normal em um determinado meio na medida em que ele é a solução morfológica e funcional encontrada pela vida para responder a todas as exigências do meio (Canguilhem, p. 56, 2007).
Ainda discorrendo sobre normalidade, Canguilhem (2007) estabelece um paralelo com as proposições darwinistas. A respeito do que discorre a obra, é correto afirmar que:
A anomalia e a mutação exprimem outras normas de vidas possíveis, sendo estas normas patológicas a medida em que contrastam com tendências quantitativamente determinadas.
O patológico é a ausência de uma norma biológica, e por esta razão não pode ser definido por si só, mas em relação à norma biológica que é a normalidade.
O patológico e o anômalo existem em si, tal como as espécies vivas que podem apresentar características desvantajosas que restringem as suas possibilidades de sobrevivência.
Não existe fato que seja normal ou patológico em si. A anomalia e a mutação não são, em si mesmas, patológicas, mas exprimem outras normas de vidas possíveis.
Não existe fato que seja normal ou patológico em si. A patologia se configuraria como uma ausência de lei biológica que submeteria determinadas formas de vida a desvantagens.