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Em um capítulo do livro “A Psicologia em diálogo com o SUS”, Spink e Matta (2007) asseveram que “A implicação entre Psicologia e Saúde Pública tem por base as formas específicas que essas instituições, procedimentos, cálculos e táticas e seu movimento histórico assumiram no âmbito da sociedade disciplinar quando o que estava em pauta era a gestão da vida diante das ameaças da progressiva urbanização e das precárias condições sanitárias e laborais”.
Citando Foucault (1977), os autores escrevem que essas estratégias disciplinares assumiram dupla face.
Assinale a alternativa que corresponde a essas duas estratégias.
A primeira é o processo de psicologização de problemas sociais, em que o psicólogo deixa de fora da sua análise as dimensões culturais, históricas e políticas dos comportamentos. A segunda ocorre na seleção e hierarquização da clientela nos serviços públicos de saúde, em que aqueles que possuem um modo de expressão do sofrimento e uma subjetividade próprios ao modelo da escuta terapêutica, isto é, têm uma demanda subjetiva, são os clientes mais valorizados pelos psicólogos.
A primeira é a estratégia de conflito que leva o profissional à ociosidade. A segunda é a reprodução que conduz ao isolamento típico da assistência ambulatorial.
A primeira, desenvolvida a partir do século XVII, centrou-se no corpo-máquina, constituindo os dispositivos disciplinares. O principal mecanismo nesse tipo de gestão, por meio de sistemas classificatórios, era a norma e, nesse contexto, nasceu uma das ferrramentas mais importantes da Psicologia: o teste psicológico. A outra, um pouco mais tardia, desenvolvendo-se por volta de meados do século XVIII, centrou-se no corpo-espécie e englobou técnicas de governo das populações. É nessa vertente que se ancoraram as modernas estratégias de gestão dos riscos associados à morbidade e à mortalidade.
A primeira é o modelo biomédico que leva todos os profissionais a se preocuparem muito mais com a doença do que com o sujeito na sua integralidade; e o segundo é o modelo biopsicossocial, mais atual, que se constitui na busca pela compreensão dos determinantes sociais de saúde, olhando o sujeito na sua completude.