Questões de Concurso sobre Foucault

 
 
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Michel Foucault (1926-1984) foi um filósofo, historiador, sociólogo e teórico francês, amplamente reconhecido por suas análises profundas sobre o poder, o conhecimento, a subjetividade e as instituições sociais. Seu trabalho teve importante impacto nos estudos em Psicologia, sobretudo no que se refere à metodologia de pesquisa. Uma de suas contribuições metodológicas foi o estudo das genealogias.

Dadas as afirmativas acerca da visão de Michel Foucault sobre metodologia e subjetividade,


l. Uma das dimensões da genealogia é a ontologia histórica de nós mesmos em nossas relações com a verdade.

II. A genealogia é uma pesquisa que se concentra no desdobramento meta-histórico das significações ideais, buscando, a partir da narrativa histórica, a origem dos fenômenos.

III. A genealogia como método, por focar-se em construir a história do presente, pode ser vista como um empirismo histórico.

IV. Foucault, ao considerar a dimensão de nossas relações com o campo do poder, compreende que nos constituífmos como sujeitos ativos, que agem uns sobre os outros.


verifica-se que está/ão correta/s


A

Il, apenas.


B

l e IV, apenas.


C

Il e lIl, apenas.


D

I, lll e IV, apenas.


E

I, II, III e lV.

Em Vigiar e Punir (1975), Foucault argumenta que a psicologia, entre outros saberes disciplinares da sociedade moderna, fabrica um saber que tem como condições de possibilidade o poder que se capilariza nas instituições da nossa sociedade.


Em uma perspectiva crítica, analise as afirmativas a seguir acerca da psicologia hegemônica no campo da saúde mental:


I. A neutralidade científica possibilitou questionar os mecanismos de exclusão dos manicômios.

II. A patologização do louco fundamentou a cientificidade da psicologia, tornando-a um campo de atuação transformador frente às relações de dominação.

III. É um saber que contribuiu para o papel exercido pelos manicômios na engrenagem social, instrumentalizando a opressão de classes.

IV. Por meio da patologização do louco, desconsiderou mecanismos sociais, raciais e sexistas que operam em nossa sociedade.


Estão corretas:


A

somente I e II.


B

somente II e III.


C

Somente I, II e III.


D

somente III e IV.


E

I, II, III e IV.

A política de segurança pública centrada na chamada guerra às drogas funciona como uma das principais condições da letalidade contra a população jovem, negra e periférica, sendo um dos alvos privilegiados das práticas de segregação, criminalização e extermínio.

Tal forma de gestão corresponde ao que Achille Mbembe denomina de


A

biopoder.


B

repressão.


C

necropolítica.


D

racismo estrutural.


E

estado de exceção.

Para Foucault, segundo Deleuze (1988), os dispositivos são "máquinas que fazem ver e falar". O que se destaca é que em cada formação histórica há maneiras de sentir, perceber e dizer que conformam regiões de visibilidade e campos de dizibilidade. Isto é, em cada época, em cada estrato histórico, existem camadas de coisas e palavras, formas e substâncias de expressão, formas e substâncias de conteúdo. Foucault considera necessário fazermos extrações em cada estrato, por quê?


A

A realidade está repleta de objetos para serem conhecidos, decodificados por um sujeito que lhe transcenda.


B

Há uma luminosidade em geral a iluminar objetos pré-existentes e há enunciados que podem falar ou serem falados se estiverem enviados a linhas de enunciação, elas mesmas compondo regimes que fazem nascer os enunciados.


C

A realidade é feita de modos de iluminação e de regimes discursivos. O saber é a combinação dos visíveis e dizíveis de um extrato, e existe um mundo a ser conhecido antes dele e por debaixo dele.


D

Ao entrarmos em contato com o que está fora do saber, poderemos anunciar outras formas de visibilidade e dizibilidade.


E

O sujeito é centrado porque é ele quem fala e vê as coisas do mundo, mas que não é visto e falado pelas condições do extrato.

O Discurso da Psicologia arqueológica de Foucault, em seu livro História da Loucura, visa oferecer contribuições para a compreensão da história do discurso psicológico em relação à construção de sujeitos, objetos psicológicos e seus efeitos subjetivos. Baseando-se nisso, assinale a alternativa em que melhor comenta a história de relações entre sociedade e loucura.


A

O século XIX foi a época de maior florescimento da teoria e da terapêutica da loucura.


B

No renascimento surgiu uma nova percepção da loucura: a que impõe risco para a sociedade. Dessa forma, passou a ser referenciada enquanto fator de desorganização da família, desordem social e perigo para o Estado.


C

Ao longo do século XVII, acreditava-se que a loucura deixou como herança a lepra, um fenômeno que intensificou reações de divisão, exclusão e purificação.


D

A partir do final do século XVIII, a loucura diz respeito a uma "liberação dos loucos" e não mais a uma "objetivação" do conceito de liberdade.

Analise a propaganda veiculada e responda às questões 31 e 32.



Disponivel em: <https://revolucaobrasileira.org/04/09/2019/a-exploracao-do-trabalho-docente-no-brasil-um-diagnostico-critico-do-ensino-publico-basico/>. Acesso em: 19 jan. 2023.


A relação entre a educação e a subjetividade é um importante campo da psicologia da educação. A propaganda veiculada na imagem da questão 31 pode ser interpretada:


I. a partir do conceito corpos dóceis, de Michel Foucault, isto é, corpos modulados pelo poder disciplinar. Para o autor, a disciplina aumenta as forças dos corpos (em termos econômicos de utilidade) e diminui essas mesmas forças (em termos políticos de obediência);

II. a partir do conceito educação bancária, de Paulo Freire, que pressupõe uma relação vertical entre professor e aluno. Nessa concepção, o educando é visto como um organismo passivo em quem seriam depositadas informações pelo professor;

III. como um exemplo de educação humanista, inspirada no modelo de Carl Rogers, e que preconiza que a educação deve dar condições psicológicas que facilitam a liberação da força interior inerente a cada indivíduo na direção de crescer e ser livre.


Dados os itens, verifica-se que está(ão) correto(s)


A

II, apenas.


B

III, apenas.


C

I e II, apenas.


D

I e III, apenas.


E

I, II, e III.

No capítulo “Sobre as prisões”, do livro Microfísica do Poder, Michel Foucault afirma que a prisão


I era, no século XVIII, uma estratégia necessária para apaziguar as manifestações violentas oriundas da insatisfação popular com as reformas burguesas.

II desde o começo, deveria ser um instrumento tão aperfeiçoado quanto a escola ou o hospital, e agir com precisão sobre os indivíduos. No entanto, o fracasso foi imediato e registrado quase ao mesmo tempo em que o próprio projeto.

III fabricava delinquentes, que eram considerados úteis tanto no domínio econômico como no político.

IV nascia de uma necessidade de organizar a população e incentivar o bom convívio social, mas se perdeu rapidamente em seu projeto.


Dos itens mencionados, estão INCORRETOS:


A

I, II, III e IV.


B

I e III.


C

I e IV.


D

II e IV.


E

III e IV.

Subjetividade é um conceito que nasceu no campo da filosofia do conhecimento, mas migrou para o domínio da psicologia, adquirindo tratamento histórico, social e político, sobretudo no final do século XX, por meio de perspectivas críticas e contemporâneas.

-

Sob inspiração de autores como Félix Guattari e Michel Foucault, é correto afirmar que a subjetividade, enquanto objeto de conhecimento e campo de experiência humana, pressupõe:


A

a permanência de um self interior;


B

um sujeito universal e abstrato;


C

a identidade da pessoa humana;


D

o efeito das relações de saber e de poder;


E

a consciência individual e indivisível.

A psicologia da libertação é uma corrente importante da psicologia social latino-americana. Sobre ela, julgue os itens a seguir.


I. A psicologia da libertação tem esse nome por defender a libertação de presos políticos na América Latina.

II. Essa corrente tem como um de seus principais nomes o psicólogo espanhol, radicado em El Salvador, o jesuíta Ignacio Martín-Baró, que foi assassinado em 1989 por forças paramilitares dentro da universidade em que era vice-reitor.

III. Ignácio Martín-Baró deixou um enorme legado para a Psicologia Social latino-americana e mundial e uma de suas obras mais referenciadas é Sistema, Grupo y Poder: Psicología social desde Centroamérica.


Assinale a alternativa correta.


A

Apenas o item I está certo.


B

Apenas os itens I e II estão certos.


C

Apenas os itens I e III estão certos.


D

Apenas o item III está certo.


E

Apenas os itens II e III estão certos.

No texto “Sobre a Prisão", Michel Foucault discorre sobre a relação entre repressão, punição e vigilância.


A partir das ideias do autor, pode-se afirmar:


A

Originalmente, nas prisões havia a vigilância como o principal método de controle dos internos. Esse método deu origem a diversas teorias criminalistas, sob a lógica da observação e controle.


B

Punição e vigilância são estratégias que sempre caminharam juntas, mas se intensificaram nas prisões a partir do século XVIII com a Grande Repressão Vitoriana.


C

Há uma correlação absoluta entre vigilância e punição.


D

A aposta estatal pela punição intensificou a capilaridade de práticas de punição, sendo essa relação a base do sistema prisional moderno.


E

Houve um momento em que se percebeu ser, segundo a economia do poder, mais rentável vigiar do que punir. Esse momento corresponde à formação de um novo tipo de exercício de poder.

Considere a seguinte afirmativa:


Relacionando a subjetividade com as relações de saber e de poder que marcam tal ou qual época, o autor aproxima a subjetividade da história, sendo esta reguladora de diferentes modos de subjetivação. A constituição dos sujeitos e da subjetividade envolve processos singulares e históricos de se fazer à experiência de si.


Assinale a alternativa que identifica CORRETAMENTE o autor de tal perspectiva.


A

Foucault


B

Skinner


C

Vygotsky


D

Piaget


E

Roger

De acordo com Ferreira (2014) em “A constituição da loucura como doença mental”: “[...] como nos mostra Foucault em A história da loucura (1972 [1961], antes do século XIX, não existe o conceito de doença mental [...]” (in JACÓ-VILELA, 2014, p. 38). A partir da obra do autor, analise as afirmativas a seguir.


I. No Renascimento (séc. XV e XVI), especialmente nas representações pictóricas, a loucura é expressa como uma espécie de saber esotérico sobre o nosso destino trágico.

II. Nos séculos XVII e XVIII, a loucura é excluída da ordem da razão e do contexto da experiência social, em que os loucos passam a ser enclausurados.

III. Do século XIX em diante, os loucos se vêm libertos, circunscritos agora ao espaço asilar em que o louco, agora doente mental, pode expressar livremente a sua loucura.


Levando em consideração o autor, estão corretas as afirmativas:


A

I apenas


B

II e III apenas


C

I e II apenas


D

I, II e III

De acordo com Foucault, no decorrer do século XVIII alguma coisa mudou na “loucura”. O essencial do movimento que se desenvolve na segunda metade do século XVIII é:


A

o fato de que a loucura rompeu o círculo do internamento.


B

a reforma das instituições.


C

o internamento em casas reservadas estritamente aos loucos começa a ser praticado de modo regular.


D

a junção dos considerados loucos com os miseráveis.

As contribuições teóricas sobre o poder são fundamentais para os estudos da mudança social e da participação política e, sobretudo, possibilitam uma postura crítica e reflexiva nos variados cenários de articulação das práticas profissionais. Michel Foucault foi um importante teórico que lançou luzes para uma teoria do poder. Leia as assertivas abaixo e assinale a alternativa incorreta sobre os aspectos que correspondem a teoria do poder em Foucault:


A

O sentido de poder como relação de força, considerando o seu aspecto essencialmente negativo, é expandido a partir das teorias provenientes tanto do campo da direita como da esquerda.


B

Muitas análises do poder tentam vinculá-lo a uma concepção fundamentalmente negativa, repressiva, dando-lhe conotação jurídica, repressiva e associando-o exclusivamente ao Estado.


C

O poder pode possuir aspectos de negação, mesmo que nunca se resuma a eles, visto que ele envolve, acima de tudo, a produção.


D

Para que as análises do poder sejam realizadas a contento, o modelo que se apoia nas soluções eminentemente jurídicas deveria ser descartado, pois, tendo sido muito utilizado, mostrou-se inadequado.


E

A força do poder está justamente em sua possibilidade produtiva.

Heliana Conde Rodrigues, no texto “Caixa de Ferramenta para uma atitude Histórico-Crítica na pesquisa intervenção”, percorre, ao lado de Michel Foucault, parte de um pensamento crítico sobre o modo com que se enfrenta o conceito de história, denominado “criticismo sem renúncia”. Tal pensamento produz um modo inseparável de teoria e prática que, por sua vez, gera meios interventivos implicados na própria intervenção. Sobre esse modo, Rodrigues diz que:


A

O “criticismo sem renúncia”, afirmado por Foucault, é a crítica ao modo que o sujeito em sofrimento busca o “saber psi”: sempre faltante.


B

Há uma inseparabilidade entre interventores e intervenção. Ao “vir-entre” instituições, o intuito é produzir uma desnaturalização de modos de pensar, agir e ser, por exemplo, de coletivos ou mesmo de agentes envolvidos em processos terapêuticos.


C

A intervenção pensada, a partir dessa lógica, busca a base na genealogia foucaultiana e se baseia nas “causalidades de base”.


D

Está centrado no sujeito, um sujeito ontológico e potente responsável pela produção de sua existência.


E

Intervir, neste modo, libera fluxos inesperados, produzindo uma pesquisa aberta despreocupada com os resultados.

No século XVII, segundo M. Foucault (1972), ocorreu na Europa a chamada 'grande internação' com a construção de várias casas de internamento. É CORRETO afirmar que esses espaços se prestaram:


A

À reclusão, tratamento e cura.


B

Ao acolhimento, humanização e reclusão.


C

Acorreção, exclusão e sofrimento.


D

À correção, humanização e exclusão.


E

Ao acolhimento, correção e reclusão.

O termo “normal” ao tratar da evolução humana, não deve ser entendido como um julgamento de valor do que é melhor, ou pior, mas como um parâmetro científico para avaliar diversos caminhos, formas e expressões do desenvolvimento. A ideia de normalidade tem sido usada como instrumento de controle social, definindo a partir de determinadas camadas da sociedade os comportamentos, pensamentos e sentimentos “adequados” para a população, em geral. Assim, faz referência à ideia de enquadre e ajustamento.


Segundo qual teórico refere-se a esse pressuposto?


A

Bee.


B

Foucault.


C

Freud.


D

Vigotski.

As contribuições de Michel Foucault nos trouxeram a ideia de que subjetividade se produz na relação das forças que atravessam o sujeito, no movimento, no ponto de encontro das práticas de objetivação pelo saber/poder com os modos de subjetivação, ou seja, nas formas de reconhecimento de si mesmo como sujeito da norma, de um preceito, de uma estética de si.


C

Certo


E

Errado

Ferreira Neto (2008), ao analisar os resultados encontrados na pesquisa sobre as práticas em psicologia clínica no campo da Saúde Mental no Brasil, utiliza o conceito de dispositivo, formulado por Michel Foucault, e o conceito de transversalidade, proposto por Felix Guattari.


Sobre a análise realizada pelo autor, assinale a alternativa incorreta.


A

Foucault compreende o dispositivo a partir de três elementos: o conjunto de elementos heterogêneos (discursos, instituições, leis, etc.), a relação dinâmica entre esses elementos, envolvendo mudanças de posições e funções, e a formação constituída num momento histórico preciso que vise responder a uma urgência.


B

Em relação ao dispositivo, a pesquisa desenvolvida aponta que a prática clínica realizada na saúde mental é composta por elementos homogêneos, ou seja, existe uma desarticulação entre as políticas públicas, as legislações do SUS e o trabalho dos profissionais.


C

O conceito de transversalidade em Guattari diz respeito ao aumento da comunicação entre diferentes níveis e diferentes sentidos das múltiplas forças que atravessam e compõem os processos.


D

A pesquisa aponta que a prática desenvolvida no campo da saúde mental comporta um coeficiente de transversalidade mais acentuado que na prática clínica tradicional, e os atravessamentos podem ser tomados como elementos dinamizadores de novas ações que estendem o alcance da clínica para o indivíduo em sofrimento mental.

A judicialização da vida vem colocando em ação práticas cada vez mais segregativas. A sociedade civil e a população em geral tornam-se alvos permanentes de intervenção governamental com o objetivo de prolongar a duração da vida, de um lado, e de outro, multiplicar para alguns o risco de morte ou decretar a morte política. A questão central passa então a ser: como deixar morrer aquilo que não serve à vida?


Trata-se de uma gestão caracterizada por Michel Foucault como:


A

necropolítica;


B

repressão;


C

anomia;


D

soberania;


E

biopoder.

 
 
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