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Desde que as políticas de saúde passaram a priorizar a atenção primária como forma de fazer frente às questões contemporâneas de saúde, a saúde promocional tornou‐se parte importante das políticas setoriais e, em sua formulação mais abrangente, não visa imputar responsabilidade às pessoas. A moderna concepção de promoção da saúde, segundo Márcia Westphal (2006), tem por base cinco princípios: uma concepção holística de saúde, voltada à multicausalidade do processo saúde‐doença; a equidade como forma de enfrentar as desigualdades estruturais, relacionada, portanto, à distribuição desigual dos determinantes da saúde na população; a intersetorialidade como estratégia para dar conta da complexidade do processo saúde‐doença; a participação social na definição das políticas, no controle social e na avaliação das ações e dos serviços; e a sustentabilidade como forma de garantir ações duradouras. Mary Jane Spink. Psicologia social e políticas de existência: fronteiras e conflitos. Bernardes e Medrado (orgs.). 1.ª ed. Maceió: ABRAPSO, 2009 (com adaptações).
Segundo Mary Jane Spink,
o cuidado em saúde deve superar o velho paradigma de saúde versus doença e ampliar seu conceito, atentando para a produção multicausal da saúde, que considera o sujeito integralmente, e a política de saúde precisa incorporar políticas e ações de promoção da saúde.
a concepção holística de saúde prevê que a prática psicológica na atenção básica deve analisar as práticas alternativas como forma de intervenção e que tais práticas, ainda hoje, não são consideradas pela ciência tradicional e foram excluídas da grade curricular dos cursos de psicologia, provocando um descompasso entre a promoção da saúde e o modelo com base na patologia.
o Sistema Único de Saúde (SUS) não está preparado para aplicar noções de equidade e intersetorialidade nem a compreensão da multicausalidade do processo saúde‐doença. Assim, não se pode falar de saúde promocional na atenção básica à saúde no caso brasileiro.
por políticas setoriais entende‐se que imputar responsabilidades aos usuários do SUS seja um equívoco, sabendo que o paciente não deve ser o responsável pelo cuidado pessoal à sua saúde. Essa responsabilidade é do técnico que acompanha o caso e reúne o saber necessário para as decisões clínicas necessárias.
por atenção primária entende‐se o primeiro diagnóstico, que deve ser realizado por técnico especializado e em condições adequadas de atendimento, nem sempre observadas pela estrutura pública de atenção à saúde.