Imagem de fundo

O debate em torno do processo de trabalho tem-se mostrado...

O debate em torno do processo de trabalho tem-se mostrado extremamente importante para a compreensão da organização da assistência à saúde e, fundamentalmente, de sua potência transformadora, particularmente quando nos debruçamos sobre a micropolítica de organização do trabalho. Merhy (2014) analisa os processos de reestruturação produtiva no trabalho em saúde, afirmando que, hoje, o território em disputa é o campo de ação do trabalho vivo em ato, na sua capacidade de imprimir novos arranjos tecnológicos e rumos para os atos produtivos em saúde. Dessa forma, para Merhy,


A

a efetivação da tecnologia leve do trabalho vivo em ato na saúde se expressa como relações intercessoras que estão presentes na produção do trabalho – descrito como ato de cuidar – e consumo (do cuidado) que ocorrem ao mesmo tempo.


B

para que ocorram as melhorias no trabalho em saúde, mais precisamente na assistência, é necessário incluir saberes mais específicos, que possam integrar as especialidades médicas, resgatando o sentido do trabalho em equipe.


C

o trabalho em saúde, cuja ação intencional é marcada pela busca da cura e da efetivação das necessidades do serviço de saúde, é centrado no trabalho vivo em ato e permanente, possuidor de tecnologias de ação que se constroem em processos educativos e em capacitações que se mantêm além dos saberes tecnológicos estruturados.


D

na perspectiva de formação de redes e de encontros no trabalho em saúde como “trabalho vivo em ato”, o trabalhador, por meio de uma clínica biomédica sustentada no biologicismo, com o usuário ou a coletividade, deve ser produtor de acolhimento, vínculo e responsabilização.


E

a incorporação de diferentes tecnologias de ponta, equipamentos e instrumentos, presença de novos modos de organização do trabalho e desenvolvimento de tecnologias estimularam a produção de uma saúde que necessita de mais estímulo à capacitação técnica de seus trabalhadores.