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Com a virada do século, a reforma psiquiátrica no Brasil deixou definitivamente a posição de “proposta alternativa” e se consolidou como o marco fundamental da política de assistência à saúde mental oficial. Mais do que isso, a influência do seu ideário vem-se expandindo no campo social, no universo jurídico e nos meios universitários que formam os profissionais de saúde. Apesar das conhecidas dificuldades enfrentadas pelo sistema de saúde pública no Brasil, é fato que o cenário psiquiátrico brasileiro vem mudando a olhos vistos. Os mais de mil centros de atenção psicossocial (Caps) espalhados pelo país vêm modificando fortemente a estrutura da assistência à saúde mental. A rede composta por esse tipo de equipamento vem substituindo, progressivamente, o modelo hospitalocêntrico e manicomial, de características excludentes, opressivas e reducionistas. Em seu lugar, vem sendo construído um sistema de assistência orientado pelos princípios fundamentais do Sistema Único de Saúde (universalidade, equidade e integralidade), acrescido da proposta de desinstitucionalização – cujo alcance ultrapassa os limites das práticas de saúde e atinge o imaginário social e as formas culturalmente validadas de compreensão da loucura.
BEZARRA Jr., B. Desafios da reforma psiquiátrica no Brasil. In: Physis: Revista de Saúde Coletiva [online]. v. 17, n. 2, 2007, pp. 243-250, com adaptações.
Com base no trecho apresentado, assinale a alternativa correta.
As noções de rede e território podem ser pensadas de forma idêntica em contextos culturais distintos.
Apesar das dimensões culturais e da enorme diversidade cultural do Brasil, o modelo assistencial em saúde mental serve igualmente para as megalópoles e cidades pequenas do interior.
A reforma psiquiátrica como mudança paradigmática no plano assistencial desdobra-se pensando e ofertando formas organizadoras da atenção, modelos de cuidado e intervenção adequados aos dispositivos, diferentemente dos ambientes hospitalares, dos espaços ambulatoriais tradicionais e mais abrangente que os da clínica individual tradicional.
As resistências às mudanças de dispositivos humanos e operantes, na reforma psiquiátrica, garantem a mudança paradigmática.
O movimento antimanicomial rompe, definitivamente, com a hegemonia do discurso técnico-científico.