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Em um bairro de alta vulnerabilidade social de São Paulo, os atendimentos realizados pela Atenção Básica em Saúde têm sido caracterizados por frequentes demandas de medicalização do sofrimento mental das mulheres, em grande parte marcadas pela sobrecarga de cuidado junto às suas famílias e/ou situações diversas de violações de direitos, denotando as fortes disparidades de gênero ainda presentes na sociedade brasileira.
Ao atuar nesse cenário da Atenção Básica em Saúde, o psicólogo deverá:
ter uma linha de trabalho fundamentada na lógica curativa-individualista, atendendo clinicamente as mulheres que o requisitarem;
apoiar a criação de grupos sob sua coordenação que possam aconselhar as mulheres em relação às condutas corretas no exercício do cuidado familiar;
valorizar o saber médico, diagnosticando as mulheres em sofrimento mental grave a fim de encaminhá-las para a Atenção Especializada em Saúde;
construir um lócus de atuação a partir da interconexão com outros saberes e com a comunidade, possibilitando enfrentamentos coletivos das questões;
fortalecer a psicologia enquanto área especializada da saúde mental, prescindindo do aporte assistencial dos demais trabalhadores da saúde.