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Conforme afirmam Fávero e Pimenta (2006), as relações entre Pensamento e Linguagem encontram se en tre as clássicas questões da Psicologia Científica. Nesse sentido, para Wundt, criador do primeiro laboratório de pesquisa experimental em Psicologia, a linguagem se apresentaria como “o produto de uma co munidade, um fenômeno coletivo tal como a religião, os mitos, a magia”. Sobre as elaborações teóricas desde então apresentadas para esta questão está INCORRETO afirmar:
George Herbert Mead, seguindo a tese de Wundt em seus princípios fundamentais, defe ndeu ser o pensamento uma interiorização da conversação por gestos: ao utilizar se de um gesto vocal previamente escutado, o interlocutor põe se no lugar daquele que fala e passa a possuir, assim, seu significado, que lhe comparece como ideia. Ao reconhece r com tais características as relações entre pensamento e linguagem, Mead punha se no seio de uma tradição de pensamento psicológico que, por implicação, rejeita dual idades quer entre mente e corpo quer entre indivíduo e sociedade.
Também em Lev Vygotsk y apresentam se pensamento e linguagem como elemento s inseparáveis. No contexto dess a obra, o significado de uma palavra representa um amálgama tão estreito que se to rna difícil afirmá lo como um fenô meno da fala ou do pensamento. De modo que o significado é fenômeno do pensamento apenas quando o pensamento ganha corpo por meio da fala, e só é fenômeno da fala na med ida em que a palavra está ligad a ao pensamento. A lin guagem se apresenta, assim, instrumento fundamental no processo de mediação das relações s ociais , sendo por meio dela que o homem se individualiza, humaniza se, apreende e materializa o mundo das significações que é construído no processo social e histórico.
No contexto da obra de Jean Piaget, apesar de estar certo que a conduta humana é social desde o nascimento, e que a pressão social cumpre uma influência decisiva no desenvolvimento e na socialização do pensamento, esse desenvolvimento não poderia ser explicado a partir da ação coletiva, sem levar em conta a atividade estruturante do indivíduo. Em sua formulação das relações entre Pensamento e Linguagem, observa-se uma construção endógena dos conceitos que, não se realizando de maneira solipsista, à margem da interação com os outros indivíduos, não encontra nessa interação sua condição suficiente. A passagem dos esquemas sensório-motores para os conceitos evidencia o quanto a evolução do comportamento humano, incluída a inteligência, dá continuidade, a partir de reconstruções, a estruturas anteriormente adquiridas. Isso, embora não signifique o abandono da necessária ação das relações sociais na formação da linguagem, revela um reflexo especular da estrutura do pensamento.
Nas elab orações apresentadas por Henri Wallon para as relações entre Pensamento e Linguagem, esta última assume o esta tuto de fundamento da organização da realidade, precedendo a. Antecipando se ao conhecimento e à compreensão, a linguagem não se reduz, porém, a uma coleção de etique tas das quais a criança extrairia noções e coisas que ela já consegue conceber. A criança opera com imagens e palavras, mas se as imagens (de um ponto de vista perceptivo) podem advir de sua experiência pessoal, as palavras advêm, necessariamente, do outro (da cultura). Antes, pois, de somente expressar uma representação, a linguagem instaura u m tipo de atividade projetiva caracterizada por re alizações ideomotoras em que as imagens são projetadas em atos mentais). A imitação e o simulacro (representação de um objeto na ausência deste ou de seus movimentos) antecedem, portanto, a inteligência di scursiva, uma vez que, enquanto na imitação predomina o plano motor, na repr ese ntação o plano simbólico. E ss es dois planos mantêm se, contudo, em permanente relação e mútuo apoio.
Nenhuma das assertivas anteriores apresenta se incorreta.