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Em consonância com a argumentação do texto, questionar a...

Atenção: Considere o texto a seguir para responder às questões de números 54, 55 e 58.


Como é possível, pergunta La Boétie, que a maioria obedeça a um só, não apenas lhe obedeça, mas o sirva, não apenas o sirva mas queira servi-lo?

A natureza e o alcance de tal questão excluem de saída que se possa reduzi-la a essa ou àquela situação histórica concreta. A possibilidade de formular uma interrogação tão destrutiva remete, simples mas heroicamente, a uma lógica dos contrários: se sou capaz de me espantar que a servidão voluntária seja a invariante comum a todas as sociedades, a minha mas também aquelas sobre as quais me informam os livros, é evidentemente porque imagino o contrário de tal sociedade, é porque imagino a possibilidade lógica de uma sociedade que ignore a servidão voluntária. Heroísmo e liberdade de La Boétie: basta essa ligeira e fácil passagem da história à lógica, basta essa abertura no que é o mais naturalmente evidente, basta essa brecha na convicção geral de que não se poderia pensar a sociedade sem sua divisão entre dominantes e dominados. Ao espantar-se com isso, ao recusar a evidência natural, o jovem La Boétie transcende toda a história conhecida para dizer: outra coisa é possível.


(Adaptado de: CLASTRES, Pierre. Arqueologia da Violência. São Paulo: CosacNaify, 2004, p. 147-8)

Em consonância com a argumentação do texto, questionar a naturalidade de algo significa


A

pôr em xeque sua historicidade, procurando compreender seus aspectos inerentes e não sujeitos a mudanças.


B

procurar entender um fenômeno em suas características estruturais, a fim de estabelecer uma constante.


C

submeter a natureza ao crivo da lógica, de maneira a respaldar a ausência de finalidade em suas características inerentes.


D

intuir até que ponto a natureza pode ser modificada pela cultura em benefício da sociedade.


E

fazer com que passe a ser considerado como fruto da cultura e, assim, estudado em sua intencionalidade.