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TEXTO III

Criado robô que escreve poesia desenvolvida por Inteligência Artificial

Por Cátia Santos – 1º de dezembro de 2021

Embora os robôs sejam criados para realizar tarefas

muito específicas e mecânicas, os avanços na tecnologia

permitiram que eles aprendessem sobre suas habilidades

particulares. Ai-Da, por exemplo, é um verdadeiro artista

5 capaz de pintar, desenhar, esculpir e escrever poesia.

Este robô utiliza um modelo sofisticado de

linguagem, uma base de dados de palavras e uma análise

de padrões de fala.

A apresentação do Ai-Da realizou-se no Ashmolean

10 Museum na Universidade de Oxford na passada sexta-

feira, tendo o robô feito parte de uma exposição em

homenagem ao 700º aniversário da morte do poeta Dante

Alighieri. Além de escrever poemas, através do recurso à

Inteligência Artificial, o robô consegue ser capaz de pintar,

15 desenhar e esculpir.

Ao contrário dos poetas humanos, a inspiração de

Ai-Da é baseada em 14.233 versos da “Divina Comédia”

de Dante Alighieri, uma base de palavras e programas de

análise de padrões de fala. Depois de processar as

20 centenas de linhas, o robô humanoide usou algoritmos

para criar um poema.

Dado o crescente avanço dos modelos linguísticos,

Aidan Meller [criador do Ai-Da] acredita que, em breve,

“serão completamente indistinguíveis dos textos

25 humanos”. /.../ Na verdade, em entrevista à CNN, o

criador do Ai-Da disse que o robô é capaz de imitar tão

bem a caligrafia de um humano que, se lermos, não

saberemos que não foi escrito por um. Meller acrescentou

ainda que, embora não veja a poesia de Ai-Da como uma

30 real competição com os poetas humanos, ele admite que

é “fundamentalmente perturbador”, tendo em conta a

qualidade de trabalho apresentada pelo robô.

Fonte: The Guardian (Disponível em https://www.maistecnologia.com/criado-robo-que-escreve-poesia-desenvolvida-por-inteligencia-artificial/. Acesso em 13/03/2023)



A divina comédia – Inferno – Canto I



Da nossa vida, em meio da jornada,

A


Achei-me numa selva tenebrosa,

B

3

Tendo perdido a verdadeira estrada.

A


Dizer qual era é cousa tão penosa,

B


Desta brava espessura a asperidade,

C

6

Que a memória a relembra inda cuidosa.

B


Na morte há pouco mais de acerbidade;

C


Mas para o bem narrar lá deparado

D

9

De outras cousas que vi, direi verdade.

C


Contar não posso como tinha entrado;

D


Tanto o sono os sentidos me tomara,

E

12

Quando hei o bom caminho abandonado.

D


Depois que a uma colina me cercara,

E


Onde ia o vale escuro terminando,

F

15

Que pavor tão profundo me causara.

E


Ao alto olhei,e já, de luz banhando,

F


Vi-lhe estar às espaldas o planeta,

G

18

Que, certo, em toda parte vai guiando.

F


Então o assombro um tanto se aquieta,

G


Que do peito no largo perdurava,

H

21

Naquela noite atribulada, inquieta.

G


E como quemo anélito esgotava

H


Sobre as ondas, já salvo, inda medroso

I

24

Olha o mar perigoso em que lutava,

H


O meu ânimo assim, que treme ansioso,

I


Volveu-se a remirar vencido o espaço

J

27

Que homem vivo jamais passou ditoso.

I


Tendo já repousado o corpo lasso,

J


Segui pela deserta falda avante;

K

30

Mais baixo sendo o pé firme no passo.

J


Eis da subida quase ao mesmo instante

K


Assoma ágil e rápida pantera

L

33

Tendo a pele por malhas cambiante.

K


Não se afastava de ante mim a fera;

L


E em modo tal meu caminhar tolhia,

M

36

Que atrás por vezes eu tornar quisera.

L


Este canto possui 136 versos, e tão logo começamos a leitura, percebemos um padrão utilizado pelo autor para compor seu poema, baseado nas rimas encontradas nos finais de cada verso.


Construindo uma relação entre as palavras encontradas nos finais de cada verso que geram as rimas utilizadas por Dante e as letras do nosso alfabeto, geramos o quadro abaixo:


A

JORNADA

N

RODEADO

B

TENEBROSA

O

ESPERANÇA

C

ASPERIDADE

P

ASPECTO

D

DEPARADO

Q

LEVANTA

E

TOMARA

R

CHEIA

F

TERMINANDO

S

MOVIA

G

PLANETA

T

CHEGA

H

PERDURAVA

U

LANÇAR-ME

I

MEDROSO

V

PERTO

J

ESPAÇO

W

TRANSIDO

K

AVANTE

X

AMADA

L

PANTERA

Y

AUGUSTO

M

TOLHIA

Z

VEIO


Com base nas informações dadas e nas características encontradas na escrita do poema A Divina Comédia, imagine que você fosse o responsável por criar a base de dados de uma Inteligência Artificial. Assinale, então, a alternativa que contém a palavra que poderia ser empregada por Dante no final do 62º verso.


A

Abraçar-me.


B

Deserto.


C

Trazido.


D

Delicada.