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Potyara Pereira chama atenção para a relação dilemática que se estabelece entre proteção social e trabalho nos marcos do capitalismo. A respeito dessa relação no cenário contemporâneo, é possível afirmar, com base na autora, que:
a noção de proteção social tem se afastado da concepção de direito do trabalhador a ser protegido e assistido, para se identificar com a obrigação de todos a se inserirem ou se pautarem pelos ditames do trabalho precarizado.
o desemprego e a precarização do trabalho têm exigido respostas abrangentes da assistência social, a fim de proteger os grupos sociais antes excluídos das políticas públicas, agora alçados à condição de empreendedores.
as mudanças tecnológicas provocadas pela Indústria 4.0 têm demandado o aumento da força de trabalho industrial, o que coloca a necessidade de reformas de políticas de proteção social voltadas para a reprodução da classe trabalhadora.
as políticas de proteção social têm conseguido ultrapassar sua condição de simples alívio à pobreza para se constituírem importante mecanismo garantidor de direitos sociais, superando a disjuntiva entre a condição de trabalhador e a de assistido.
à medida que a oferta de postos de trabalho se expande, a proteção social pública torna-se irrelevante, haja vista que o trabalho é a principal fonte de bemestar humano e o canal de criação de meios dignos de autossustentação.