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Desde os anos 1960, no Brasil, tem início um processo de erosão das bases de legitimação do ethos tradicional do Serviço Social, propiciando uma renovação e um pluralismo capazes de evidenciar a dimensão político-ideológica da prática profissional, abrindo a possibilidade de emergência de uma vertente crítica, caracterizada por Paulo Netto (2005), como a vertente de “intenção de ruptura”. Em relação à prática desta vertente, é correto afirmar que:
No fim da Ditadura, começa a se organizar como categoria; cria associações vinculadas às lutas gerais dos trabalhadores; organizada, ainda que, em minoria, muda as normas do Congresso Brasileiro de Assistentes Sociais, exigindo sua democratização e seu compromisso político com os trabalhadores.
Começa a produzir uma literatura alinhada à compreensão histórica da profissão; participa do debate e das entidades latino – americanas; busca elementos para uma superação crítica de seus equívocos; questiona as teorias tradicionais; evoca a neutralidade profissional; e, anuncia seu compromisso com as classes trabalhadoras.
Na militância católica, faz a “opção pelos pobres”, projeta-se como “agente de mudança”, atuando em atividades de educação popular e formação de quadros políticos juntos à população. Em um primeiro momento, influenciada por Gramsci, entende que deve aproximar e aprofundar o trabalho nas instituições, concebidas como “aparelhos ideológicos de Estado”.
Nos anos 60/70, esta parcela minoritária de profissionais opta pela participação política e cívica; amplia sua consciência social e recusa ideologicamente a ordem burguesa. Sob a influência do movimento de reconceituação e da militância cívico-política, se aproxima do fundamentalismo e inicia experiências práticas voltadas ao compromisso com as classes populares.