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Acerca do tema dos Direitos Humanos e o Serviço Social...

• Texto para as questões de 1 a 10.


Hipopótamos à solta


De fato, parece que algumas pessoas são dotadas do dom da premonição. No século XVIII o brilhante Chesterton já filosofava sobre a onda de estupidez que ele antevia, assustadora, no horizonte da humanidade. “Chegará o dia em que teremos de provar ao mundo que a grama é verde” — disse. Giorgia Meloni, a primeira-ministra italiana, também citou a obviedade galopante num de seus discursos com a frase “ainda teremos batalhas com fogo e espadas para provar que dois mais dois são quatro”.

Aqui no Brasil o implacável Nelson Rodrigues já havia denunciado essa coisa ululante e a ela até dedicou um livro. Parece que, por umas décadas, o óbvio permaneceu adormecido em companhia da burrice. Mas eis que, na virada do século, ganhou novas forças e faz grande reestreia.

Enquanto degusto meu café com pão, criei o hábito de deixar a TV ligada como fundo sonoro do amanhecer, inteirando-me dos fatos recentes através dos repórteres e apresentadores. Alertado, apuro os ouvidos. Pelo visto, tudo indica que o discurso do óbvio acompanhado de sua fiel amiga platitude arrumou emprego fixo nas emissoras.

Parece que os repórteres da TV são entusiastas dessa nova modalidade e ando colecionando suas pérolas. Outro dia, no jornal da noite, falando de assaltos, dispararam uma informação excepcional: “por causa de seu valor, o ouro é muito visado pelos ladrões”. E outro, comentando a irresponsabilidade de certos motoristas, não deixou por menos e fez um alerta aos distraídos pedestres: “,...um atropelamento pode causar muitos danos à vítima.”

Enfim, o óbvio se insinua sorrateiro nas falas dos incautos e, como um tiro de canhão, alcança nossas orelhas. Informando aos telespectadores sobre a circulação nos logradouros públicos —- como dizem os burocratas - disse a repórter: “o trânsito está bastante pesado agora na avenida por causa dos automóveis e caminhões”. Suspirei aliviado. Ainda bem: já pensou se fosse por conta de elefantes, hipopótamos e rinocerontes caminhando calmamente no asfalto pelos quatro cantos da cidade?


Fernando Fabbrini — Texto Adaptado https:/Awww.otempo.com.br/opiniao/fernando-fabbrini/2025/4/3/hipopotamos-a-solta

Acerca do tema dos Direitos Humanos e o Serviço Social, sabe-se da importância deste tema no tocante à materialização do Projeto Ético-Político Profissional no cotidiano de trabalho. Devemos observar corretamente que:


A

O último Código de Ética representa a direção dos compromissos assumidos pelo Serviço Social nas últimas décadas do seu percurso histórico, e sua composição comporta 11 Princípios Fundamentais, entre os quais, sucintamente, destacamos: defesa dos Direitos Humanos e recusa do arbítrio e do autoritarismo.


B

Os debates sobre os Direitos Humanos são desimportantes, não merecem atenção e investimento acadêmico, uma vez que circulam em torno de questão circunscrita ao mundo burguês, se tratam de meras abstrações do universo da sociabilidade burguesa.


C

Não cabe assumirmos compromisso com os Direitos Humanos, pois são incompatíveis com as teorias críticas à sociedade capitalista e, portanto, com o pensamento dos autores marxistas — não se inscrevem na perspectiva de construção de uma nova ordem social.


D

Apenas compreendendo a possibilidade da constituição de uma nova formação social, por meio de uma lógica evolucionista — desenvolvimento contínuo, progressivo e linear —, seria concebível a defesa dos Direitos Humanos, sua ampliação e universalização.


E

Os direitos humanos são incompatíveis com as perspectivas da teoria social crítica e posturas humanistas e progressistas, devido a sua gênese alinhada à formação da sociedade burguesa moderna.