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Em muitos estudos sociais elaborados para fins de concessão de benefícios, é comum encontrar descrições extensas da composição familiar, da renda mensal e das condições de moradia, seguidas de uma conclusão breve afirmando que “a família se encontra em situação de vulnerabilidade social”.
O erro central nesse tipo de estudo está:
na utilização predominante de informações socioeconômicas objetivas, cuja validade depende exclusivamente da atualização periódica dos cadastros institucionais.
na insuficiente problematização dos dados levantados, que são apresentados de forma desarticulada das determinações sociais, históricas e institucionais que produzem a situação analisada.
na aplicação de critérios técnicos previamente definidos pelas normativas institucionais, que limitam a autonomia analítica do assistente social.
na priorização de aspectos materiais da vida familiar, em detrimento de dimensões subjetivas consideradas centrais para a caracterização da vulnerabilidade social.
na adoção de conclusões sintéticas, compatíveis com a finalidade administrativa do estudo social no âmbito das políticas de transferência de renda.