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As tecnologias da informação e da comunicação (TIC) devem ser analisadas e compreendidas a partir de uma perspectiva crítica e histórica, porque não são instrumentos ou mecanismos que materializam apenas uma mudança social em curso. As TIC resultam do desenvolvimento tecnológico, impulsionado pelo aprimoramento do trabalho humano. O que tem sido destacado como um desafio ou problema, nos tempos atuais, não é a existência da tecnologia em si, mas as intenções que sustentam sua produção e utilização (Reidel; Bueno; Corrêa, 2024). Ademais, também existe uma preocupação sobre a forma como essas TIC são apropriadas no interior da sociabilidade capitalista, principalmente considerando as intenções de intensificar o processo de trabalho, aumentar a produtividade dos trabalhadores e expandir a acumulação capitalista. Ao considerar os possíveis impactos das TIC na complexificação das expressões da “questão social”, no redirecionamento das políticas sociais e até no trabalho profissional dos assistentes sociais, é possível dizer que:
O desenvolvimento tecnológico amplia as possibilidades de as pessoas acessarem o que antes era mais difícil e, dessa forma, considerando a universalização do seu acesso, pode-se dizer que as tecnologias digitais asseguram amplamente a democratização das políticas sociais, que se tornam mais fáceis de serem acessadas.
O problema ligado ao uso das tecnologias e recursos digitais relaciona-se à resistência das pessoas quanto a sua utilização, pois, se as pessoas fossem treinadas, as dificuldades e os desafios seriam resolvidos.
O uso das TIC, além das questões ligadas ao acesso desigual, evidencia que os recursos tecnológicos podem ampliar determinadas formas de atendimento, mas, ao mesmo tempo, reproduzem desigualdades e reforçam mecanismos de controle do trabalho.
A análise crítica das condições sociais dos usuários é dispensável, considerando que as plataformas digitais têm uma maior e melhor capacidade de produzir, sistematizar e analisar dados e informações.
As desigualdades sociais no acesso às políticas públicas e sociais são eliminadas quando o atendimento aos usuários é realizado por meio de plataformas digitais, uma vez dessa forma inexiste um direcionamento que privilegia uma pessoa em detrimento de outra.