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Segundo Cisne, Castro e Oliveira (2018), a prática do aborto, embora possa se apresentar como uma decisão individual e/ou do casal, é profundamente influenciada por determinantes sociais que incidem de forma desigual sobre as mulheres. Nesse contexto, a maternidade, muitas vezes, impõe obstáculos concretos à vida profissional feminina, especialmente para aquelas inseridas no trabalho informal, sem acesso à licença-maternidade e a outros direitos trabalhistas. Além disso, a responsabilidade pelo cuidado dos filhos recai, predominantemente, sobre as mulheres, o que frequentemente as leva ao afastamento do mercado de trabalho e ao retorno ao espaço doméstico, evidenciando a desigual divisão sexual do trabalho. A respeito desse tema, assinale a alternativa correta.
A decisão pelo abortamento voluntário decorre, prioritariamente, de escolhas individuais desvinculadas das condições materiais de vida, sendo a maternidade uma opção plenamente livre para todas as mulheres.
A maternidade, ao ser socialmente compartilhada entre homens e mulheres, reduz os impactos sobre a inserção feminina no mercado de trabalho, não se configurando como elemento relevante para compreender o aborto.
A criminalização do aborto se apresenta como medida neutra do Estado, voltada exclusivamente à proteção da vida, uma vez que, as mulheres em empregos precários e mal remunerados, não conseguem cuidar de sua prole.
A superexploração do trabalho feminino fortemente marcada no espaço doméstico, não interfere nas condições de inserção das mulheres no mercado de trabalho nem em suas decisões reprodutivas.
A análise do aborto deve considerar as relações sociais, considerando que sua ocorrência e criminalização estão articuladas às desigualdades estruturais produzidas pela divisão sexual e racial do trabalho.