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A etnicidade tornou-se uma das chaves para a abordagem de questões relacionadas às desigualdades econômico-sociais, conflitos políticos e culturais nas sociedades contemporâneas.
(Lima e Castilho, Grupos étnicos e etnicidades. In: Sociologia. Coleção Explorando o Ensino, vol. 15, MEC/SEB, 2010).
Marque abaixo a única alternativa INCORRETA no que se refere às contribuições das teorias da etnicidade desenvolvidas a partir dos anos 1960.
Abordagens primordialistas da etnicidade supõem que a identificação étnica está embasada em laços reais e tangíveis de tipo primordiais e não contextuais. Algumas correntes dessa vertente supõem que os laços primordiais sejam de base biológica, determinadas pela genética e fatores geográficos. Outras correntes defendem que exista uma suposta estrutura cultural, que produz um sentimento de afinidade natural produzida ao longo da história.
Muito influente no cenário brasileiro, a perspectiva de Fredrik Barth entende que a etnicidade é uma construção histórica situacional, fruto de um processo de adscrição altamente dinâmico e mutável, baseado na interação entre grupos que procuram manter fronteiras entre si, a partir de elementos culturais contextualmente selecionados. E a fronteira étnica que define o grupo, e não o conteúdo cultural por ela delimitado: as tradições culturais são importantes para os grupos étnicos na medida em que são acionadas e utilizadas como símbolo ou emblema de diferença, e não são o único elemento a distinguir tais grupos.
Para admitir que, ao contrário do que supõem os estereótipos do senso comum, é legítimo que um jovem universitário nascido e habitante de uma metrópole urbana se sinta e se afirme como indígena, por exemplo, temos de adotar uma perspectiva primordialista de etnicidade.
As noções de identidade étnica, grupos identitários ou de identidade e fenômenos identitários têm sido utilizadas por autores que entendem que termos como grupo e fronteiras, trabalhados por Fredrik Barth, por denotar ainda grande fixidez, dificultam a abordagem da etnicidade no cenário contemporâneo, progressivamente mais fluido e dinâmico, notadamente pelos múltiplos pertencimentos que se superpõem em identidades muitas vezes voláteis.
As discussões sobre etnicidade criam o efeito político de contribuir para a aceitação da diversidade étnica e cultural e para a assimilação da ideia de que “Temos o direito a ser iguais quando a nossa diferença nos inferioriza; e temos o direito a ser diferentes quando a nossa igualdade nos descaracteriza. Daí a necessidade de uma igualdade que reconheça as diferenças e de uma diferença que não produza, alimente ou reproduza as desigualdades”, nos termos usados por Boaventura de Sousa Santos.


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