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“Vários analistas têm afirmado que a teorização sobre os movimentos sociais é a parte mais difícil, na qual se encontram as grandes lacunas na produção acadêmica. Por quê? Porque, concordando com Melucci, eles são "parte da realidade social na qual as relações sociais ainda não estão cristalizadas em estruturas, onde a ação é portadora imediata de tessitura relacional da sociedade e do seu sentido" (Melucci, 1994: 190). Ou seja, os movimentos transitam, fluem e acontecem em espaços não-consolidados das estruturas e organizações sociais. Na maioria das vezes eles estão questionando estas estruturas e propondo novas formas de organização à sociedade política. Por isso eles são inovadores (...) e são lumes indicadores da mudança social. Citando ainda Melucci (1994, p. 190), “eles são uma lente por intermédio da qual problemas mais gerais podem ser abordados, e estudá-los significa questionar a teoria social e tratar questões epistemológicas tais como: o que é a ação social?
(Maria da Glória Gohn. Teoria dos movimentos sociais: paradigmas clássicos e contemporâneos. 11º ed. São Paulo: Edições Loyola, 1997).
Acerca das abordagens nos estudos dos movimentos sociais, assinale a alternativa INCORRETA.
De acordo com Gohn, as teorias dos novos movimentos sociais (NMS) e as abordagens denominadas neomarxistas, constituem paradigmas europeus nos estudos dos movimentos sociais a partir da década de 1960.
Os trabalhos desenvolvidos entre os anos 1920 e 1930 por Herbert Blumer, um dos representantes da escola sociológica de Chicago, destacam-se entre as abordagens clássicas norte-americanas de análise dos movimentos sociais. A grande preocupação de Blumer era entender os mecanismos e significados por meio dos quais os movimentos tornam-se aptos para crescer e se organizar.
No estudo dos movimentos sociais, o paradigma norte-americano inclui as teorias clássicas da ação coletiva, a teoria da mobilização de recursos (MR) e as teorias dos novos movimentos sociais (NMS).
Os NMS não constituem uma teoria homogênea, e sim um bloco referencial teórico ambíguo, já que alguns de seus autores partem de premissas totalmente distintas do marxismo (como é o caso de Alberto Melucci); outros fazem uma ruptura na forma de abordagem, mas trabalham com as macroestruturas societais (caso de Alain Touraine); e outros ainda questionam a validade da utilização de alguns prognósticos realizados por Marx, arguindo pela necessidade de sua atualização, sem negar a validade das categorias básicas do marxismo (caso de Claus Offe).
Claus Offe apontou que o aspecto essencialmente novo dos movimentos sociais que emergiram no hemisfério norte a partir dos anos 1960 (estudantil, feminista, de liberação sexual, lutas ecológicas, de minorias étnicas e linguísticas, de comunidades e contraculturas, relativos às questões de saneamento, saúde e pacifistas) diz respeito ao seu modelo de ação. Para ele, os Novos Movimentos Sociais atuam num espaço de política não institucional e com métodos não convencionais como forma de negar ou expressar o reconhecimento das limitações das práticas da democracia liberal e do Estado de Bem-Estar.