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Queima de ônibus espalha medo e transtorno em Belo Horizonte
Com quinto veículo incendiado em uma semana, empresas suspendem operação à noite nas linhas afetadas e estações amanhecem superlotadas. Motoristas relatam rotina de violência.
(18/09/2020 06:00)
A queima de mais um ônibus na Grande BH, na noite de quarta-feira, aumentou o medo entre motoristas e cobradores e deixou as estações Venda Nova e Vilarinho – os dois maiores pontos de integração do sistema de transporte de Belo Horizonte – transbordando de passageiros na manhã de ontem. A aglomeração foi causada pela suspensão da circulação de coletivos durante a madrugada em toda a cidade, devido à queima do quinto veículo em menos de uma semana.
(Disponível em: https://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2020/09/18/interna_gerai s,1186545/queima-de-onibus-espalha-medo-e-transtorno-em-belohorizonte.shtml.)
O sociólogo carioca Luiz Antônio Machado da Silva é uma referência no país com seus estudos sobre os diferentes aspectos da sociabilidade urbana brasileira desde 1970. Entre seus vários estudos, procura interpretar, também, manifestações tão diversas quanto os movimentos sociais, insatisfações sociais que conduzam a uma rebelião ou ação mais radical como os quebra-quebras de supermercados nos anos 1980, ou ataques incendiários a ônibus como citados anteriormente. Tanto ele quanto outros estudiosos brasileiros da atualidade, ao analisarem tais circunstâncias:
Precisam compreender a estrutura do sistema capitalista em seu estágio atual no Brasil e no mundo, bem como estabelecer um olhar mais próximo da sociabilidade cotidiana.
Devem entender que tais ações óbvias de revolta e atrocidades são o reflexo único de impunidade e falta de regras, que vem caracterizando a sociedade brasileira desde tempos imemoriais.
Carecem de uma metodologia que possa quantificar a nova maneira de interação que se estabeleceu nas grandes cidades, e que, no Brasil, é articulada apenas à representação social da criminalidade.
Necessitam prioritariamente saber as causas e as consequências das ações realizadas em uma escala maior, em nações desenvolvidas, para depois estabelecer generalizações eficientes com a realidade nacional.
Devem interpretar tais ações de uma maneira unilateral, sem relacioná-las com outros temas como o desemprego, a divisão internacional do trabalho na produção industrial, ou as condições de saúde do trabalhador.