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O desenvolvimento do cooperativismo no Brasil, em contraste com suas raízes na Europa, apresenta características e funções sociais peculiares que merecem análise aprofundada, especialmente no que tange à sua relação com as estruturas de poder e as desigualdades sociais. A compreensão dessas dinâmicas históricas e sociológicas revela que o cooperativismo brasileiro:
favoreceu amplamente a emergência de uma “terceira via” econômica neutra, superando as dicotomias entre capitalismo e socialismo em diversos setores produtivos, desvinculada de interesses de classe específicos.
surgiu predominantemente como uma iniciativa das elites econômicas e políticas, utilizado como ferramenta de controle social e modernização agrícola, sem confrontar a questão da propriedade da terra.
manteve em sua essência as características de propriedade, gestão e repartição comuns, conforme o modelo europeu de Rochdale, assegurando a abolição da figura do patronato em todas as suas modalidades.
estabeleceu-se como um movimento essencialmente urbano, replicando a trajetória do cooperativismo inicial na Inglaterra, onde as cooperativas de consumo impulsionaram a organização proletária.
buscou na legislação trabalhista do Estado Novo Getulista sua principal inspiração para a organização interna, refletindo um caráter de militância operária contra a exploração capitalista no país.


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