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[...] penso também que esta confluência de tempos e de espaços pode ajudar a mostrar as contradições, as tensões e os conflitos que sempre estiveram duma maneira ou de outra e, muitas vezes, de maneira muito distinta da atual, presentes no contato entre os globalizadores e os globalizados. Ao longo de todo este longo período histórico, houve sempre uma grande assimetria de poder. Esta assimetria deu-se no domínio econômico, deu-se no domínio político, deu-se no domínio cultural.
SANTOS, Boaventura de Sousa. Dilemas do nosso tempo: globalização, multiculturalismo e conhecimento. Educação & Realidade. Porto Alegre, 26 (1), p. 13-32, 2022.
Levando em consideração a análise sociológica e a perspectiva de Boaventura de Sousa Santos quanto ao fenômeno da globalização, assinale a alternativa correta.
A globalização é um fenômeno sobretudo econômico, que realiza uma melhor distribuição de bens e serviços ao redor do planeta, não sendo considerada um problema político para a análise sociológica.
As relações econômicas, culturais e políticas foram afetadas pela globalização que, na perspectiva da análise sociológica, acentuou as desigualdades sociais construídas historicamente.
A globalização uniu o planeta ao redor da busca de soluções para problemas sociais coletivos, sendo um dos maiores fenômenos sociais abordados pela sociologia contemporânea.
A globalização representa um fenômeno político e cultural, sem afetar a maneira como a sociedade se relaciona economicamente.
As formas de análise da globalização pela sociologia desconsideram os efeitos nefastos para as populações mais pobres no sul global.
De acordo com Boaventura de Sousa Santos (2008), as sociedades capitalistas são formações ou configurações políticas constituídas por quatro modos básicos de produção de poder que se articulam de maneiras específicas como demonstra o quadro a seguir:
Mapa estrutural das sociedades capitalistas
ESPAÇOS ESTRUTURAIS \ COMPONENTES ELEMENTARES | Unidade de prática social | Forma institucional | Mecanismo de Poder | Forma de direito | Modo de racionalidade |
Espaço doméstico | Sexos e gerações | Família, casamento e parentesco | Patriarcado | Direito doméstico | Maximização da afectividade |
Espaço da produção | Classe | Empresa | Exploração | Direito da produção | Maximização do lucro |
Espaço da cidadania | Indivíduo | Estado | Dominação | Direito territorial | Maximização da lealdade |
Espaço mundial | Nação | Contratos, acordos e Org. Internacionais | Troca desigual | Direito sistêmico | Maximização da eficácia |
(Santos, 2008. P. 125.)
Após a análise do quadro, é possível afirmar que:
A maximização do lucro é a racionalidade dominante no espaço mundial; a forma institucional é o Estado; e, o direito é sistêmico.
O direito territorial se baseia na dominação do Estado sobre o indivíduo constituído no espaço de cidadania e maximização da lealdade.
O patriarcado é o mecanismo de poder predominante no espaço doméstico, cuja maximização da lealdade é o imperativo da racionalidade.
O espaço doméstico é um espaço estrutural, cujo mecanismo de poder é marcado pela troca desigual dominada pela racionalidade de maximização da eficácia.
No livro Introdução a uma ciência pós-moderna, Boaventura de Sousa Santos afirma que a ciência “[…] constrói-se, pois, contra o senso comum, e para isso dispõe de três atos epistemológicos fundamentais: a ruptura, a construção e a constatação” (2000, p. 31).
Compreende-se por senso comum:
Um conceito, particularmente filosófico, que aparece no século XIV como iniciativa burguesa de combate ao irracionalismo.
Um conhecimento que não enriquece nossa relação com o mundo, mesmo tratando-se de um conhecimento mistificado e mistificador.
O conhecimento, cujos conceitos originam-se no cotidiano e são apropriados pelo meio científico como parâmetro de verdade.
Um vasto conjunto de concepções geralmente aceitas como verdadeiras em determinado meio social.
Um saber oral passado de geração em geração que posteriormente se consolida nas escrituras e livros sagrados.
Para Boaventura de Sousa Santos, uma das características dos estudos sobre democracia no mundo tem sido a perda da demodiversidade, termo utilizado por ele para designar "a coexistência pacífica ou conflitual de diferentes modelos e práticas democráticas".
(SANTOS, B.S. (Org.). Democratizar a democracia: os caminhos da democracia participativa. 3. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2005 ).
Considerando ainda que o modelo liberal representativo persiste como universal e que é preciso, portanto, além de democratizar a democracia, aumentar sua intensidade, que elementos não podemos considerar como efetivos nas práticas democráticas de contestação ao modelo liberal representativo já experienciadas no Brasil?
Participação popular por meio de conselhos municipais de políticas públicas.
Estímulo à cidadania ativa por meio das experiências de orçamento participativo.
Realização das conferências nacionais de caráter consultivo ou deliberativo com os ministérios governamentais e a sociedade civil para definição de políticas públicas.
Fortalecimento dos órgãos de representatividade popular que privilegiem o global em detrimento do local, no que se refere às necessidades dos indivíduos.
Expansão dos conselhos de direitos e dos conselhos de assistência social e de saúde nos municípios brasileiros.
Boaventura de Souza Santos, com base no paradigma “todo conhecimento é local e total”, resgata o papel do senso comum na ciência moderna. Sobre essa questão:
A ciência pós-moderna, ao ‘sensocomunizar-se’, foca o conhecimento em autoconhecimento, em sabedoria de vida, na valorização da diversidade, e não apenas na produção tecnológica.
O global se apropria do discurso do senso comum, em beneficio próprio em prol da transdisciplinaridade.
O poder local apropria-se do discurso global mudando as relações em prol da pluralidade e beneficiando interesses particulares no contexto plural.
A ciência apropria-se do saber local, para uso de novas tecnologias, sendo esta relação visível na relação tecnologia e meio ambiente.
Local e global se mesclam num contexto plural, transformando o senso comum em benefício de uma ciência transdisciplinar cujo objetivo é o amplo avanço nas tecnologias no interior, abrangendo, inclusive, as terras indígenas.


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Segundo Boaventura de Souza Santos, existem nas sociedades capitalistas formações políticas compostas por quatro modos de produção de poder (espaço estrutural constituído por cinco componentes), que articuladas, são responsáveis por quatro formações básicas de poder.
Em relação ao “espaço da cidadania”, assinale a alternativa que apresenta o mecanismo de poder nele situado.
( ) exploração
( ) dominação
( ) patriarcado
( ) troca desigual
( ) maximização da eficiência