A raiva é uma encefalomielite viral aguda, invariavelmente fatal após a instalação do quadro clínico, causada por vírus do gênero Lyssavirus. No que tange à patogenia, à epidemiologia e ao diagnóstico laboratorial dessa zoonose, assinale a alternativa correta.
O vírus rábico apresenta tropismo estrito por células musculares, em que ocorre a replicação primária e a persistência viral prolongada, sendo a migração para o sistema nervoso periférico dependente exclusivamente de fluxo axonal anterógrado via receptores nicotínicos de acetilcolina.
No ciclo epidemiológico aéreo, os quirópteros hematófagos da espécie Desmodus rotundus atuam como reservatórios assintomáticos, possuindo uma coevolução com o vírus que os impede de manifestar sinais neurológicos ou ir a óbito pela doença.
A forma clínica furiosa, caracterizada por hiperexcitabilidade e agressividade, é a apresentação predominante em grandes herbívoros (bovinos e equídeos), devido à alta densidade de receptores virais no córtex pré-frontal dessas espécies.
Embora a presença dos corpúsculos de Negri seja considerada um achado histopatológico patognomônico, sua ausência em amostras de tecido cerebral, especialmente no Corno de Amon e cerebelo, não exclui o diagnóstico de raiva, uma vez que essas inclusões citoplasmáticas podem não se formar em casos de evolução clínica muito rápida.
O diagnóstico laboratorial de rotina em animais baseia-se prioritariamente na detecção de anticorpos séricos por ELISA, uma vez que a excreção intermitente do vírus pela saliva e a ausência de carga viral no sistema nervoso central durante a fase clínica tornam as técnicas diretas, como a imunofluorescência direta (IFD), pouco sensíveis.