REDAÇÃO Texto 1 Regulamentar ou não o uso de cigarros...
REDAÇÃO
Texto 1
Regulamentar ou não o uso de cigarros eletrônicos no Brasil? Essa pergunta se tornou a discussão mais relevante nos assuntos de saúde pública do País desde o final de 2023. A grande repercussão sobre o assunto foi gerada devido à divisão de opiniões sobre a regulamentação do cigarro eletrônico (também conhecido como “vape” ou “pod”). Enquanto parcela das pessoas argumenta que a liberação pode garantir a informação sobre a procedência do dispositivo, evitando o agravamento de problemas de saúde e promovendo a segurança dos consumidores que optem pelo seu uso, outra parte acredita que a regulamentação pode agravar ainda mais o vício no País. Segundo dados da Inteligência em Pesquisa e Consultoria Estratégica (Ipec), instituição brasileira de pesquisas de mercado, quase três milhões de pessoas no Brasil fazem uso de cigarros eletrônicos, mesmo sendo proibidos desde 2009 pela Anvisa. Nos últimos seis anos, o aumento no uso do dispositivo foi de 600%.
(Susanna Nazar. Regulamentação dos cigarros eletrônicos divide opiniões e chama atenção da saúde pública. https://jornal.usp.br, 15.02.2024. Adaptado)
Texto 2
O cigarro tradicional tem alcatrão, um composto de mais de 40 substâncias comprovadamente cancerígenas, monóxido de carbono (que dificulta a oxigenação do sangue), nicotina, aromatizantes e uma mistura de mais de 7 mil produtos químicos que são tóxicos e prejudiciais à nossa saúde. Eles funcionam por meio da combustão dessas substâncias. Já os cigarros eletrônicos não agem dessa maneira, mas por aquecimento do líquido de seu reservatório que é então inalado pelo usuário. Assim, por não existir combustão, não há geração de monóxido de carbono. Apesar disso, eles também têm nicotina (principal agente químico de todos os cigarros), que é altamente viciante e sua dependência leva a uma doença chamada de tabagismo.
De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o tabagismo pode resultar em 50 outras diferentes doenças, dentre vários tipos de câncer, doenças do aparelho respiratório e doenças cardiovasculares. A estimativa é de que 157 mil pessoas morram por ano no Brasil devido a essas doenças. Em relação aos cigarros eletrônicos especificamente, enfermidades também estão relacionadas diretamente ao uso desses aparelhos. Somente em 2020, os Estados Unidos (EUA) confirmaram um surto de 2 807 casos de lesão pulmonar grave associada ao uso desses dispositivos para fumar. A doença, chamada de EVALI (sigla em inglês para “lesão pulmonar induzida pelo cigarro eletrônico” em português), causava dificuldades para respirar, fadiga, febre, náuseas, entre outros sintomas. Sessenta e oito mortes decorrentes dessa doença também foram registradas à época nos EUA.
(Roberto Peixoto. Cigarro eletrônico chega à 4ª geração com ‘roupa nova’ e mais viciante. https://g1.globo.com, 11.04.2022. Adaptado)
Texto 3
No Reino Unido, onde os cigarros eletrônicos já são regulamentados há 10 anos, o governo está revisando as regras locais para restringir produtos descartáveis, controlar os pontos de venda e combater com mais rigor a venda para menores de idade. O ajuste na regulamentação – e não a proibição – está embasado no entendimento de que os cigarros eletrônicos são instrumentos efetivos na redução de riscos. Em 2023, o governo britânico lançou uma campanha que prevê a distribuição de um milhão de kits gratuitos de cigarros eletrônicos para adultos fumantes. Com o programa, se um adulto fumante procurar o sistema de saúde e disser que quer parar de fumar, ele receberá do médico orientações e um cigarro eletrônico gratuitamente.
Nos Estados Unidos, investe-se em informação, controle de produção e fiscalização. Ao conceder autorização para comercialização de cigarros eletrônicos, a agência reguladora norte-americana declara na documentação que os produtos são “apropriados para a proteção da saúde pública”. O governo implementa ações que vêm se mostrando efetivas para restringir o consumo por menores de 18 anos.
Esses países reconheceram a necessidade de regulamentar a venda dos cigarros eletrônicos. As experiências internacionais mostram que a criação de regras é a melhor estratégia para que adultos fumantes tenham acesso a produtos alternativos ao cigarro tradicional.
(Cigarro eletrônico: é urgente controlar a situação no Brasil. https://veja.abril.com.br, 08.05.2024. Adaptado)
Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva um texto dissertativo-argumentativo, empregando a norma-padrão da língua portuguesa, sobre o tema:
É preciso manter a proibição do cigarro eletrônico ou deve-se regulamentar a sua comercialização para que os brasileiros tenham uma alternativa ao cigarro tradicional?
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