Foram extraídos, de um estudo realizado com 40 professores...
Foram extraídos, de um estudo realizado com 40 professores sobre as manifestações sexuais de alunos com deficiência, dois relatos de uma mesma professora:
P – [...] Porque... já tive lance assim de pegar dois alunos meus, lá na escola velha, atrás, fazendo sexo mesmo, assim, sabe? de ter que chamar pai, e... daí você tem que abordar de todos os lados, eu abordei doença sexualmente transmissível... [...] ...eles não gostam de bicha... Eu coloquei que quem realmente faz isso é bicha, é mulherzinha, é homem que não gosta de ser homem. E eu ainda falo assim: “Eu acho que aqui eu só tenho homem... eu não tenho ninguém, alguém aqui quer ser mulher...?” “Não.” Então, por quê? Não... e... então eu tento abordar desse jeito. Porque na turma quem me dá mais problema são os mais velhos, né? assim, os mocinhos, né?
P -– “Olha, S.! Ele tá com o pinto duro!”. Eu falo, assim: “Gente!, eu sei, até o animal fica com o pinto duro. [...] Então... eles veem, assim, que comigo eles não... têm o tabu [...] ...quando ele veio pra mim... já não era nem mais assim, sexual de sexualidade, é... era uma manha. Quando ele era contrariado ele arrancava a roupa inteira, certo? E ele já é mocinho, ele já fez 13... Ele já tinha pelos, ele já tinha o órgão, assim, quase que formado, e... era constrangedor pra todo mundo, né?... teve uma vez que aconteceu isso, que eu contrariei ele que ele queria sair e eu não deixei. Daí nós colocamos ele dentro da sala e eu falei: ...” Você vai cumprir as regras da oficina e você não vai sair agora”. Ele arrancou a roupa inteira... e falei: “Você pode arrancar... fique pelado...” Ainda virei e falei: “Tô cansada de ver pinto de homem, não ligo, pode arrancar tudo... faz o que você quiser, só que você não vai sair daqui”. Ele arrancou tudo, ficou pelado e ele é cheio de pelos... sabe? parece um... macaco, o jeito dele. Daqui a pouco ele ficou quieto, sentou. Quer dizer, o que que acontece? Ele sabe que com aquele jeito dele de arrancar a roupa ele chama a atenção de todo mundo e a minha atenção ele não chamou... porque eu tranquei a porta, voltei a fazer o que eu tava fazendo e ele dava murro... pelado... e ele viu que eu nem liguei pra ele. Ele nunca mais arrancou a roupa, foi uma vez... [...]
MAIA, A. C. B.; ARANHA, M. S. F. Relatos de professores sobre manifestações sexuais de alunos com deficiência no contexto escolar. Revista Interação em Psicologia, jan./jun. 2005 (9)1, p. 103-116.
Para auxiliar na contextualização, seguem dois excertos:
“A formação de professoras e professores assenta-se na compreensão e reconhecimento das diferenças como construção social, e deve oferecer, às licenciandas e licenciandos, espaços para aprofundar seus conhecimentos sobre diversidade de gênero, raça, classe e deficiência, na perspectiva de uma formação fundamentada nos direitos humanos” (UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. Programa de Formação de Professoras e Professores. São Paulo: USP/PRG, 2023).
“Entendendo as manifestações da deficiência como socialmente constituídas (Vygotsky, 1997), argumentamos que as ações do grupo social não só resultam fecundas e favoráveis para o desenvolvimento. Socialmente também se produzem modos de interpretação e significação, frente às condições orgânicas, que inviabilizam formas mais ativas e integrais da vivência da criança. Destacamos então a ação contraditória do meio social, que pode se configurar como fonte de desenvolvimento (Vygotsky, 1994) ou lócus da produção e intensificação de impedimentos de novas formações psicológicas. Segundo Clot (2010), o desenvolvimento impedido é constitutivo da personalidade, ou seja, nos constituímos também pela ausência/inércia de. Neste sentido, ressaltamos a questão dos obstáculos encontrados no ensino da criança com deficiência, os quais são recorrentemente contemplados como sendo problema da criança, respaldando-se no déficit orgânico. Pelo prisma da perspectiva histórico-cultural, esses obstáculos são produzidos na relação da criança com o meio escolar”.
DAINEZ, Débora. Desenvolvimento e deficiência na perspectiva histórico-cultural: Contribuições para a educação especial e inclusiva. Revista de Psicologia, 26(2), 2017, p. 9.
Considere os relatos e os excertos apresentados e disserte sobre os encaminhamentos dados pela professora, apresentando alternativas práticas na condução das situações-problema, a partir de políticas públicas estabelecidas e de bases teóricas.
Instruções:
• As respostas deverão ser redigidas de acordo com a norma padrão da língua portuguesa.
•Escreva com letra legível e não ultrapasse o espaço de linhas disponíveis da folha de respostas.
•Receberão nota zero textos que desrespeitarem os direitos humanos e textos que permitirem, por qualquer modo, a identificação do candidato.
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