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No trecho a seguir, o pensador quilombola, também conhecido como Nêgo Bispo, apresenta uma estratégia contracolonial para a relação com a língua.
Certa vez, fui questionado por um pesquisador de Cabo Verde: “Como podemos contracolonizar falando a língua do inimigo?”. E respondi: “Vamos pegar as palavras do inimigo que estão potentes e vamos enfraquecê-las. E vamos pegar as nossas palavras que estão enfraquecidas e vamos potencializá-las. Por exemplo, se o inimigo adora dizer desenvolvimento, nós vamos dizer que o desenvolvimento desconecta, que o desenvolvimento é uma variante da cosmofobia. Vamos dizer que a cosmofobia é um vírus pandêmico e botar para ferrar com a palavra desenvolvimento. Porque a palavra boa é envolvimento”.
BISPO DOS SANTOS, Antônio. A terra dá, a terra quer. São Paulo: Ubu Editora/PISEAGRAMA, 2023.
Assinale a opção que corresponde à estratégia apresentada.
A desconstrução da língua do colonizador, evidenciando a fluidez e a falta de fixidez de seus significados.
A rejeição da língua colonizadora, apostando a revitalização de línguas ancestrais como ato de resistência.
A inversão de valor ideológico dos termos da língua dominante, questionando as suas bases.
A ampliação do sentido das palavras do colonizador, expandindo sua aplicação a diferentes contextos culturais.
O uso da argumentação lógica, expondo contradições presentes no sistema embutido na linguagem do opressor.