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No texto a seguir, Muniz Sodré discorre sobre relações entre o fenômeno do sincretismo e a religiosidade.


No sentido amplo, o amálgama sincrético pertence ao fenômeno da interculturalidade, que se tornou mais característico nas religiões universais: ao se expandir, o cristianismo, por exemplo, incorporou crenças locais, assim como fez o islamismo com relação ao judaísmo e ao cristianismo. Muitos séculos antes disso, os cultos africanos também se constituíram a partir de uma linhagem sincrética de sistemas de crenças egípcios, indianos e outros. O sincretismo comporta aspectos tanto espontâneos quanto estratégicos. No caso dos cultos afro-brasileiros, pode-se falar de uma estratégia de natureza religiosa, mítica e histórica, destinada a assegurar a continuidade dos africanos e seus descendentes nas condições adversas da diáspora escrava.


SODRÉ, Muniz. Pensar Nagô. Petrópolis, RJ: Vozes, 2017.


Com base no texto, é correto afirmar que o sincretismo


A

é um fenômeno colonial, característico das dinâmicas de contato forçado entre sociedades.


B

abarca diferentes facetas, podendo responder a diversos tipos de circunstâncias históricas e culturais.


C

é um processo deliberado, no qual grupos religiosos articulam conscientemente a fusão de crenças.


D

depende de contextos de assimetria de poder, surgindo como resposta à dominação de um grupo sobre outro.


E

é incompatível com a preservação das tradições, que acabam sendo dissolvidas ao longo do processo.