Questões de Concurso sobre Pensamento Selvagem

 
 
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Leia o trecho a seguir.


Se, por um lado, o sonho é sempre desencadeado pela vontade de um outro, e o sonhador aparece como uma “presa”, uma vítima, alguém à mercê de um sentimento que lhe é alheio, por outro, o sonhador não está de forma alguma inteiramente subjugado aos sentimentos desse outro. Os vivos resistem aos apelos incessantes desses outros, e é porque resistem que eles podem continuar existindo como Yanomami.


LIMULJA, Hanna. O desejo dos outros: Uma etnografia dos sonhos yanomami. São Paulo: Ubu Editora, 2022.


O trecho acima apresenta um aspecto central da concepção Yanomami de sonho.


Com base no texto, é correto afirmar que, para esse povo, os sonhos são


A

manifestações do inconsciente individual, nas quais desejos reprimidos encontram expressão simbólica.


B

realidades passageiras, às quais faltam o poder de afetar a existência material do indivíduo na vigília.


C

processos psíquicos subconscientes, através dos quais o indivíduo elabora situações traumáticas.


D

experiências espirituais, nas quais o indivíduo tem contato com o plano que rege sua vida de forma determinista.


E

expressões de um embate, nas quais se chocam forças alheias e a insistência vital da pessoa.

Os movimentos feministas são frequentemente concebidos em ondas, cada uma marcando um momento distinto das lutas das mulheres, com reivindicações, pautas e estratégias próprias.


Assinale a opção que apresenta a característica distintiva da chamada quarta onda do feminismo.


A

A crítica às representações midiáticas hegemônicas e a demanda por pluralidade representacional.


B

A problematização estrutural das disparidades laborais, com ênfase na equiparação remuneratória.


C

A insurgência por meio de ciberativismo, utilizando redes sociais para a exposição sistemática de violências estruturais.


D

A subversão crítica de arquétipos normativos de gênero, com foco na despatologização das corporeidades.


E

A consolidação de direitos políticos e civis, articulando-se em torno da universalização de garantias jurídicas.

No texto a seguir, o autor apresenta uma aparente contradição no discurso da modernidade.


Se o “espírito” era “moderno”, ele o era na medida em que estava determinado que a realidade deveria ser emancipada da “mão morta” de sua própria história — e isso só poderia ser feito derretendo os sólidos (isto é, por definição, dissolvendo o que quer que persistisse no tempo e fosse infenso à sua passagem ou imune a seu fluxo). Lembremos, no entanto, que tudo isso seria feito não para acabar de uma vez por todas com os sólidos e construir um admirável mundo novo livre deles para sempre, mas para limpar a área para novos e aperfeiçoados sólidos.


BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2000.


Nesse trecho, ele sugere que a modernidade


A

rejeita as permanências e acaba criando um estado de fluxo contínuo sem criação de novas estruturas.


B

define-se pela destruição das estruturas consolidadas do passado, mas acaba estabelecendo novas permanências.


C

reafirma as estruturas tradicionais ao invés de transformá-las, ao contrário do que afirmam seus ideólogos.


D

caracteriza-se pela criação de novas formas institucionais que reforçam a estabilidade social sem eliminar a tradição.


E

objetiva a emancipação do homem, mas acaba criando uma servidão ainda maior do que a tradicional.

No trecho a seguir, Pierre Clastres apresenta uma leitura sobre a organização política das sociedades sem Estado.


[O] que os selvagens [sic] nos mostram é o esforço permanente para impedir os chefes de serem chefes, é a recusa da unificação, é o trabalho de conjuração do Um, do Estado. A história dos povos que têm uma história é, diz-se, a história da luta de classes. A história dos povos sem história é, dir-se-á com ao menos tanta verdade, a história da sua luta contra o Estado.


CLASTRES, Pierre. A sociedade contra o Estado. São Paulo: Cosac Naify, 2003.


Assinale a opção que melhor representa a concepção do autor.


A

A luta dessas sociedades é uma etapa primitiva da dialética histórica que culminará no conflito de classes moderno.


B

A inexistência de um Estado decorre da imaturidade de suas instituições políticas, ainda em processo de formação.


C

A oposição à unificação do poder está enraizada em sistemas mitológicos que associam chefes a forças cósmicas perigosas.


D

A negação do Estado se opera por meio de estratégias coletivas que bloqueiam a formação do poder coercitivo.


E

A organização política baseia-se em lideranças consensuais, nas quais o governo existe sem hierarquia fixa.

O desenvolvimento da teoria antropológica levou à refutação da ideia de que o pensamento mágico, que caracteriza as sociedades simples, representa um estágio anterior e inferior ao pensamento científico.

C
Certo

E
Errado
 
 
Gerar simulado