Roberto DaMatta em seu livro “Relativizando” localiza a
raiz das diferenças entre ciências naturais e sociais no fato de
que, enquanto na primeira a natureza não reage diretamente
ao estímulo do pesquisador, na segunda esta interação é
evidente. Para o antropólogo, a existência humana é uma
experiência que tem lugar em distintas sociedades, nas quais
os homens acentuam suas distinções, em complexos
processos que envolvem reações aos estímulos da natureza,
combinando adaptação e transformação do meio ambiente.
Tais processos são presididos pela cultura, que seria o que
distingue as sociedades humanas de outras existentes no
reino animal.Acultura, nos termos do autor, seria:
A
uma tradição viva, conscientemente elaborada, que
passa de geração em geração, permitindo individualizar
ou singularizar uma dada comunidade em relação a
outras.
B
uma teia de significados que é tecida pelo próprio homem,
eminteração com os demais.
C
um complexo emaranhado de práticas, símbolos e
linguagens, que classifica e estratifica tudo dentro de uma
sociedade humana.
D
um conhecimento sobre um todo social, que passa de
geração em geração, e que serve fundamentalmente
para distinguir o membro de um grupo, em relação a
outros, oriundos de outras sociedades.
E
o conhecimento sedimentado de uma sociedade, que se
propaga no tempo, mas sempre em função de um mesmo
espaço social.