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Observe a imagem apresentada na Figura 4 e a citação a seguir:

Figura 4 – “Entidades”, do artista macuxi Jader Esbell
“A arte é uma extensão da nossa política para este mundo. Ela leva nossas demandas à gente que nunca saberia da nossa existência por outros caminhos. A arte motiva e faz com que mais pessoas reivindiquem seus lugares na trajetória histórica do país. Além de trazer a nossa luta, nossa política de resistência, ela também resgata algo maior que o sofrimento e a morte, que é a nossa riqueza tecnológica. Nossos conhecimentos são tecnologias poderosíssimas. A língua, as rezas, os cantos, a forma de se comunicar com outros mundos, nosso modo de transitar no universo desde sempre enquanto culturas completas. Se o branco não tivesse aparecido, continuaríamos vivendo da mesma forma, plenamente, como sempre atravessamos o tempo” (Fonte: Revista Gama, entrevista com Jaider Esbell). Relacionando a imagem e o discurso do artista, é possível afirmar que:
Ao realizar essa obra em um ambiente isolado, Esbell está reivindicando um lugar no cânone da Land Art, movimento estadunidense de arte contemporânea.
O artista lança mão de um gesto pós-colonial ao utilizar a imagem da serpente como símbolo cristão do pecado, estabelecendo um intertexto intencional com a passagem bíblica do Gênesis.
Esbell celebra em seu discurso a apropriação de uma tecnologia europeia que lhe permite construir uma instalação como “Entidades”.
Uma vez que não encontra meios de legitimação dentro do sistema das artes visuais, Esbell só conseguiu espaço para suas obras em um evento das artes cênicas como o Porto Alegre em Cena.
Em sintonia com a pulsão decolonial, através de “Entidades”, Esbell inseriu elementos do imaginário de seu povo em um ambiente urbano, de ampla circulação, um parque cujo nome carrega a ironia de homenagear uma guerra promovida por homens brancos na qual muitos indígenas morreram violentamente.