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Texto 1A2
Por que um branco brochado de negro? Pela inexistência de um intérprete dessa raça? Entretanto, lembrava que, em meu país, onde mais de vinte milhões de negros somavam quase metade de sua população de sessenta milhões de habitantes, na época, jamais assistira a um espetáculo cujo papel principal tivesse sido representado por um artista da minha cor. Não seria, então, o Brasil, uma verdadeira democracia racial? Minhas indagações avançaram mais longe: na minha pátria, tão orgulhosa de haver resolvido exemplarmente a convivência entre pretos e brancos, deveria ser normal a presença do negro em cena, não só em papéis secundários e grotescos, conforme acontecia, mas encarnando qualquer personagem — Hamlet ou Antígona — desde que possuísse o talento requerido. Ocorria de fato o inverso: até mesmo um Imperador Jones, se levado aos palcos brasileiros, teria necessariamente o desempenho de um ator branco caiado de preto, a exemplo do que sucedia desde sempre com as encenações de Otelo. Mesmo em peças nativas, tipo O Demônio Familiar (1857), de José de Alencar, ou Iaiá Boneca (1939), de Ernani Fornari, em papéis destinados especificamente a atores negros foi norma a exclusão do negro autêntico em favor do negro caricatural. Brochava-se de negro um ator ou atriz brancos quando o papel contivesse certo destaque cênico ou alguma qualificação dramática. Intérprete negro só se utilizava para imprimir certa cor local ao cenário, em papéis ridículos, brejeiros e de conotações pejorativas.
Abdias do Nascimento. Teatro experimental do negro: trajetória e reflexões. In: Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, n. 25, 1997. Internet: (com adaptações).
Tendo como referência inicial o texto 1A2, assinale a opção correta em relação à história do teatro brasileiro.
O teatro negro só surgiu como objeto de conhecimento após a criação do grupo Teatro Experimental do Negro, já que, até então, não havia atores negros profissionais.
Abdias do Nascimento, que ocupou cargo de senador da República, tinha uma visão política sobre o teatro, mas não se envolveu artisticamente com a prática teatral.
A expressão “branco brochado de negro”, também conhecida como blackface, remete a uma prática racista cujos efeitos incluíam manter atores negros fora do palco ou em papéis menores.
O Teatro Experimental do Negro foi um grupo de teatro cujo objetivo principal era montar, somente com atores negros, as obras clássicas tradicionalmente encenadas somente por atores brancos.
O ensino do teatro jesuíta contempla o ensino de teatro afrodescendente e indígena brasileiro, por meio do sincretismo religioso.