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O capital implementou um processo de reestruturação em escala global, visando tanto à recuperação do seu padrão de acumulação, quanto procurando repor a hegemonia que vinha perdendo, no interior do espaço produtivo, desde as explosões do final da década de 1960 onde, particularmente na Europa ocidental, se desencadeou um monumental ciclo de greves e lutas sociais. [...] O capital, em escala global, veio redesenhando novas e velhas modalidades de trabalho — o trabalho precário — com o objetivo de recuperar as formas econômicas, políticas e ideológicas da dominação burguesa. Proliferaram, a partir de então, as distintas formas de “empresa enxuta”, “empreendedorismo”, “cooperativismo”, “trabalho voluntário” etc., dentre os mais diversos modos alternativos de trabalho precarizado. E os capitais utilizaram-se de expressões [...] como controle operário e participação social, para dar-lhes outras configurações, muito distintas, de modo a incorporar elementos do discurso proletário, porém, sob clara concepção burguesa.
ANTUNES, Ricardo; BRAGA, Ruy. Infoproletários: degradação real do trabalho virtual. São Paulo: Boitempo, 2009. p. 233.
Relacionado à questão central abordada pelo texto, os sindicatos de trabalhadores – associações coletivas de mobilização, organização e participação social daqueles que vendem sua força-trabalho – surgem como um(a)
entrave ao livre mercado e à eficiência econômica e são organizações que distorcem as relações trabalhistas, impondo custos adicionais às empresas e dificultando a flexibilização do mercado de trabalho. Nesse sentido, a intervenção sindical é prejudicial ao crescimento econômico, à competitividade e ao próprio trabalhador, pois pode restringir a liberdade de contratação, seus direitos e prejudicar a eficiência das empresas.
instrumento de coesão social e de promoção dos interesses do Estado, devendo, por isso, ser subjugado ao controle estatal. Os sindicatos, por sua natureza, são cooptados pelo regime para servirem aos propósitos do Estado, agindo como mediadores entre os trabalhadores e o governo. Assim, servem como parte integrante da estrutura corporativa do Estado, destinados a canalizar as demandas dos trabalhadores de acordo com os interesses governamentais.
sistema de representação por setores da economia, visando à cooperação entre trabalhadores, empregadores e o Estado. Os sindicatos desempenham um papel central na negociação de questões trabalhistas, mas sua atuação é limitada pelos interesses corporativos e pelo controle estatal. Nessa perspectiva, os sindicatos são parceiros na busca pelo bem comum e na estabilidade social, atuando dentro de uma estrutura hierárquica e regulada pelo Estado.
reação à situação dos trabalhadores na indústria capitalista, mas constitui também uma força transformadora de toda a sociedade. Essas associações se submetem de modo gradual às regras de uma determinada sociedade, mas são sustentadas por fins que as transcendem as próprias organizações e que frequentemente entram em choque com elas e canaliza a participação social e política de grandes massas, contribuindo para integrá-las na sociedade.