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Um enfermeiro de uma unidade de pronto atendimento coleta uma amostra de secreção purulenta de uma ferida profunda com suspeita de infecção por anaeróbios. A coleta foi realizada utilizando um swab comum, que foi colocado em um tubo seco e enviado ao laboratório de microbiologia após 6 horas de armazenamento em temperatura ambiente. Ao receber o material, o microbiologista do Instituto Federal do Ceará decide pela rejeição da amostra. Com base nas boas práticas de microbiologia clínica e processamento de amostras, assinale a alternativa que apresenta uma justificativa correta a respeito da decisão de rejeitar a amostra.
Amostras destinadas à cultura de anaeróbios devem ser coletadas preferencialmente por aspiração com agulha e seringa e transportadas em frascos específicos com meio de transporte anaeróbio (como o sistema Cary-Blair modificado), pois o oxigênio e o ressecamento no swab seco são letais para esses organismos.
A secreção purulenta de feridas deve ser obrigatoriamente refrigerada a 4°C por até 24 horas antes do processamento, pois o frio estimula a esporulação de patógenos como Bacteroides fragilis, facilitando seu isolamento em Ágar Sangue.
O uso de swabs é o método “padrão-ouro” para a coleta de qualquer secreção de feridas profundas, uma vez que a ponta de algodão libera substâncias bacteriostáticas que preservam a viabilidade da microbiota normal do paciente durante o transporte, portanto a amostra não deveria ter sido rejeitada.
O atraso de 6 horas é aceitável para qualquer tipo de cultura clínica, desde que o material seja mantido em tubo seco, pois a ausência de nutrientes no frasco impede que bactérias contaminantes realizem a transição para a fase log de crescimento.
Amostras de feridas profundas são consideradas “sítios estéreis”, portanto, qualquer microrganismo isolado, mesmo após transporte inadequado, deve ser reportado como o agente etiológico primário sem necessidade de nova coleta.