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Imagine que determinada assessoria de instituição pública brasileira resolveu veicular peças de comunicação única e exclusivamente em redes sociais. A decisão foi tomada partindo-se do pressuposto de que os usuários de mercados emergentes têm no aparelho celular sua primeira e única fonte de acesso (mobile-first e mobile-only). No entanto, a proposta sofreu críticas e não foi adiante.
Daí se infere que tais críticas se justificam na medida em que:
as redes sociais podem ser utilizadas para propósitos de monitoramento e rastreamento, o que vai de encontro às liberdades individuais;
a barreira fundamental à conectividade é a disponibilidade e acessibilidade na Internet, uma vez que são escassas a oferta e a cobertura de redes de telefonia móvel;
o mundo contemporâneo comporta indivíduos de diferentes gerações tecnológicas, o que dificulta a adoção generalizada das redes sociais como plataformas hegemônicas;
as redes sociais são insuperáveis em alcance e transparência de informações, o que resulta no desenvolvimento da sociedade, adoção da economia digital e ecossistemas dialógicos pautados na experiência do usuário e em big data;
sua irrestrita adoção precisaria ser precedida de uma política pública de comunicação que disponibilizasse celulares acessíveis, sistemas operacionais mais leves, planos de dados mais baratos, pontos de acesso grátis de wi-fi, cobertura ampla e qualidade de sinal.