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A bacia hidrográfica é reconhecida como a unidade fundamental de planejamento e gestão dos recursos hídricos, pois permite integrar variáveis ambientais, sociais e econômicas que determinam a disponibilidade e o uso da água. Segundo o Relatório de Conjuntura da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), publicado em 2024 com dados consolidados de 2023, os usos consuntivos de água no Brasil apresentam a seguinte distribuição setorial: irrigação (50,5 %), abastecimento urbano (23,9 %), indústria (9,4 %), água para animais (8,2%), abastecimento rural (1,8%), termoeletricidade consuntiva (1,5%), mineração (1,2%) e outros usos menores.
Considerando esses dados e o fato de que conflitos de uso tendem a se intensificar em bacias com baixa disponibilidade hídrica, é adequado realizar uma análise considerando que
como a soma dos usos urbanos e industriais ultrapassa 50% da retirada total, a gestão por bacia deve priorizar o abastecimento urbano e a indústria, pois são os setores que mais pressionam a oferta hídrica na escala nacional.
uma vez que a irrigação representa mais da metade da água consuntivamente retirada no país, políticas de gestão por bacia que busquem reduzir conflitos e garantir segurança hídrica devem necessariamente incluir medidas estruturais e não estruturais voltadas à eficiência da agricultura irrigada.
o peso da água destinada a animais demonstra que bacias com forte presença pecuária são, em geral, as mais sujeitas a conflitos de uso, superando bacias dominadas por agricultura irrigada.
a soma dos usos consuntivos associados ao setor rural (água para animais e abastecimento rural) ultrapassa um terço da demanda nacional, o que indica que bacias com predomínio de atividades rurais são, em média, as que mais sofrem pressão sobre a disponibilidade hídrica.
como a participação da irrigação na retirada consuntiva tem diminuído gradualmente, a gestão por bacia deve redirecionar esforços para os usos urbano e industrial, que já superam a agricultura irrigada em consumo total.