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A proposta de Acolhimento, para Tesse, Neto e Campos (2010...

A proposta de Acolhimento, para Tesse, Neto e Campos (2010, p. 3616), surgiu da necessidade de “superar uma tradição medicalizante e substituindo-a por uma nova concepção apoiada na Promoção à Saúde. Em alguma medida, a introdução dessa estratégia de fato produziu uma saudável tensão paradigmática entre a biomedicina e abordagens mais ampliadas”.


De acordo com os autores, é INCORRETO afirmar que


A

foi a partir da crítica a essa situação [mistura de lógica de consultório médico privado dentro de/e sinérgica com uma repartição pública] e da busca para superá-la que se construiu a proposta do Acolhimento no seu aspecto institucional, almejando dar viabilidade organizacional à missão ética e à ambição política de concretizar a universalidade e equidade na interação dos serviços com os usuários.


B

o Acolhimento envolve interesse, postura ética e de cuidado, abertura humana, empática e respeitosa ao usuário, mas ao mesmo tempo implica avaliação de riscos e vulnerabilidades, eleição de prioridades, percepção de necessidades clínico-biológicas, epidemiológicas e psicossociais, que precisam ser consideradas. Isso permite, em tese, hierarquizar necessidades quanto ao tempo do cuidado (diferenciar necessidades mais prementes de menos prementes).


C

o Acolhimento está baseado, também, em um direito constitucional dos indivíduos, que é o direito de acesso aos serviços de saúde. Além disso, uma das características para a efetividade e o sucesso da APS é o fácil acesso, motivo que torna indiferente o desenvolvimento de arranjos institucionais e práticas profissionais facilitadores desse acesso.


D

no acolhimento pode-se considerar “duas pernas” fundamentais: uma ética e política, em que se almeja melhorar a postura dos profissionais no contato com a clientela, e outra de gestão e de modelo assistencial, que visa reformular a tradição burocrática e rígida ao melhorar o acesso e o cardápio de ofertas do serviço, flexibilizar e ampliar a clínica, além de facilitar o cuidado interdisciplinar.


E

no acolhimento, o contato não programado com o usuário passa a se dar com um profissional (e não com um recepcionista), que realizará a missão difícil de, simultaneamente, acolher e escutar de forma qualificada e individualizada. Isso requer uma prática profissional com importante grau de comunicação, interpretação e negociação interdisciplinar e com os usuários, estimulando o vínculo, acalmando ansiedades e buscando soluções.