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No contexto da pandemia de Covid-19 no Brasil, várias estratégias de cuidado às pessoas com necessidades decorrentes do uso de álcool e outras drogas foram prejudicadas devido a barreiras de acesso à saúde e às políticas intersetoriais, fechamento ou redução de serviços considerados não essenciais e aumento do consumo de drogas, bem como crescimento de diversas violências. Nesse sentido, o enfermeiro que exerce suas atividades nos dispositivos da RAPS, ao viabilizar tratamento a essas pessoas, precisa compreender que:
estratégias motivacionais ofertadas devem dialogar com as reais necessidades do sujeito que precisa ter força de vontade, identificar e reconhecer que é dependente químico, frágil e que sozinho não dá conta da complexidade existente
durante o tratamento o sujeito que faz uso de substâncias psicoativas pode desejar ou não cessar o consumo, porém o enfermeiro precisa reconhecer a abstinência como forma mais eficaz no tratamento às adições, devendo garantir acesso às comunidades terapêuticas e aos grupos de ajuda mútua
o tratamento é um espaço de construção conjunta, um espaço relacional, transferencial e de produção de vínculo entre sujeito e profissional, que leve em consideração o uso de substâncias psicoativas como uma forma de lidar com as dificuldades ou dores anteriores, que repercutem nos aspectos biológicos, psíquicos e sociais
só é possível existir tratamento se houver uma demanda já elaborada e circunscrita do sujeito, em que a droga é a causa central e problemática nos aparatos subjetivos e nas relações que se constituem na vida e seu uso é determinante e essencial para direção do tratamento a partir do diagnóstico diferencial entre neurose e psicose