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— Não tens vergonha nenhuma, Sócrates, e interpreta as coisas de maneira a desvirtuares o meu argumento.
— De modo algum, meu excelente amigo. Mas explica mais claramente o que queres dizer.
— Pelo visto não sabes – prosseguiu ele – que, dentre os Estados, há os que vivem sob o regime da monarquia, outros da democracia, e outros da aristocracia?
— Como não havia de sabê-lo?
— Ora, em cada Estado, não é o governo que detém a força?
— Exatamente.
— Certamente que cada governo estabelece as leis de acordo com sua conveniência: a democracia, leis democráticas; a monarquia, monárquicas; e os outros, da mesma maneira. Uma vez promulgadas essas leis, fazem saber que é justo para os governos aquilo que lhes convém, e castigam os transgressores, a título de que violaram a lei e cometeram uma injustiça. Aqui tens, meu excelente amigo, aquilo que eu quero dizer, ao afirmar que há um só modelo de justiça em todos os Estados – o que convém aos poderes constituídos. Ora estes é que detêm a força. De onde resulta, para quem pensar corretamente, que a justiça é a mesma em toda a parte: a conveniência do mais forte.
Platão. A República
Do embate entre Trasímaco e Sócrates é possível constatar que as teses de Trasímaco sobre a justiça
coincidem com as de Platão.
foram adotadas por Aristóteles.
vinculam-se ao período pré-socrático.
distinguem-se das de Platão.
derivam das de Platão.