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“O controle da sociedade sobre os indivíduos não se opera simplesmente pela consciência ou pela ideologia, mas começa no corpo, com o corpo. Foi no biológico, no somático, no corporal que, antes de tudo, investiu a sociedade capitalista. O corpo é uma realidade biopolítica. A medicina é uma estratégia biopolítica.”
(Foucault, 2005, P. 80.)
A “biopolítica”, termo utilizado por Foucault, tem como alvo, segundo ele, o conjunto de indivíduos – a população. Ainda, na concepção desse filósofo, é possível afirmar que:
A vida, dentro da sociedade capitalista, abarcada pelo significado superior da política, perde o sentido.
A vida biológica nunca fica exaustivamente retida nos mecanismos que pretendem controlá-la, pois sempre os excede e deles, por fim, escapa.
Apenas o sistema socialista pressupunha a inserção dos corpos no aparelho de produção e um ajustamento dos fenômenos de população aos processos econômicos.
A coletividade abarca e exaure o individualismo, a ponto dele só existir como parte de um organismo determinado pela força de trabalho, isto é, pela produção de valor.